#vemprarua: Mães também participam dos protestos

Estamos diante de um momento importante para história do Brasil. O povo está nas ruas, em massa, por conta da insatisfação popular.

E as mulheres também foram às ruas, mesmo sabendo do abuso de alguns policiais, homens, que revistaram mulheres mesmo sendo proibido e saíram impunes. Elas foram com seus filhos com o intuito de passar a eles uma importante lição, a da democracia.

Tudo começou com o aumento das passagens dos ônibus, em apenas R$ 0,20, apenas alguns centavos que bastaram para fazer transbordar o "copo d´água" dos paulistanos e deflagrou a bomba-relógio armada. Agora, os motivos se multiplicam, basta ver os cartazes pelas ruas.

O Vila Mulher conversou com duas mulheres que saíram às ruas no dia 17 de junho, para protestar pacificamente na melhor segunda-feira do ano. E, apesar do medo, se surpreenderam.

Éride Giglio Rossetti, psicóloga e psicopedagoga, completou seus 61 anos no dia anterior ao grande ato do dia 17, e foi à passeata de São Paulo acompanhar a filha. Segundo ela durante todo o trajeto não houve qualquer ato de violência ou depredação de patrimônio público.

"Havia muitos cartazes, o que é bom, pois, dá caracterização à manifestação, para mostrar a que veio. Carreguei o meu: "BRASIL LIVRE DA CORRUPÇÃO, JÁ!" pela Avenida Paulista. Foi aberto um espaço para que toda a população possa manifestar suas insatisfações aos governantes a fim de que trabalhem para o desenvolvimento do Brasil".

Diríamos que depois de chegarmos a tal ponto de engajamento com uma de nossas únicas armas, que é nossa mobilização conjunta, não podemos nem devemos para voltar atrás, mas com o foco necessário em mente. Sem violência ou vandalismo. Há espaço para todos, todos mesmo.

"Vi pessoas de várias idades na manifestação. A maioria era de jovens estudandes, mas me orgulhei de um casal de idosos, ele com uma bengala. Andavam devagar, mas de cabeça erguida. Ponto alto. Gostaria de ter visto famílias inteiras. Ir com a minha filha foi ótimo, me senti bem por mostrar a ela que me importo, sim, com o que acontece no Brasil. Se bateu medo? Com certeza, mas já vivi a ditadura militar e isso dá mais medo", nos contou a realizada Éride.

Ana Paula Medeiros, arquiteta, tem 47 anos, também foi com seus dois filhos à passeata do Rio de Janeiro, que aconteceu no mesmo dia da de São Paulo, e contou para nós o seu relato. Ela também notou como vândalos se diferenciam dos manifestantes e como essa experiência pode ser rica entre pais e filhos, também como é importante mães terem essa oportunidade de direcionar seus filhos.

"Eu fui com meus filhos (muito orgulho deles, viu?). Eu e o mais novo fomos encontrar as pessoas da UFRJ em frente ao Instituto de Filosofia, no Largo de São Francisco. Muita festa, muita gente. Só tranquilidade. Chuva de papel picado pelos prédios. A galera gritava: "Quem apoia pisca a luz" e um monte de gente, nos prédios, piscava a luz, para delírio da galera, que pedia para as pessoas descer. Chegamos na Cinelândia e, meu marido que estava em casa vendo as coisas pela televisão, falou que tinha começado um tumulto em frente à Alerj. Antes que a confusão chegasse onde estávamos, peguei os meninos e fomos reto para metrô, voltar para casa", conta.

Ainda conforme arquiteta, no momento em que estava lá tudo foi pacífico. "Eu nem vi nada, seria leviano eu ficar apontando isso ou aquilo. Mas as imagens que vi na televisão depois que cheguei em casa são de pessoas completamente diferentes das que eu vi no meio da passeata".


Por Giseli Miliozi

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