Vale a pena alimentar fantasias na criança?

Passados esses dias de Páscoa, uma reflexão e, de certa maneira um dilema, pairam no ar: vale a pena alimentar fantasias em nossas crianças? Todo malabarismo para a compra dos ovos, escondê-los num local em que não derretam... pegadas, ninhos, caça ao ovo! História que se repete ao cair do dente, escondendo embaixo do travesseiro, jogando no telhado, trocando por moedas ou chocolates, sem falar no Papai Noel, o mais esperado do ano...

E a decepção quando a criança descobre que o papai que mordeu a cenoura do coelho, pois seu dente está cor de laranja, quando ele reconhece a voz do tio na pele do Papai Noel?

Cada uma dessas etapas devem ser muito bem vividas pelos pequenos e por nós... pois não voltam... e deixam muita saudade... Elas devem durar enquanto houver “magia” nesse momento, na maioria das vezes até no máximo 8, 9 anos de idade. E não pensem que elas passarão em vão na vida do seu filho! A fantasia, o faz-de-conta, não só do que ele vivencia, mas também dos contos de fada, são importantes na formação dos conceitos de bem e mal, certo e errado, e são a fonte essencial da criatividade humana.

É com essa base, que se formam as pessoas criativas não só para escrever, desenhar, mas principalmente para lidar com a realidade que virá nas próximas fases da vida. Por isso, aconselho, não se intimide, vire coelho da Páscoa, fada, pirata e o que mais for necessário para principalmente se divertir muito com seus pequenos!

Michelle Maneira é pedagoga, com pós-graduação em psicopedagogia e especialização em tecnologias educacionais, professora de educação infantil da rede pública.

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