Vacinação contra o HPV em adolescentes divide opiniões

Vacinação contra o HPV

Foto - Ken Seet/Corbis

O governo federal iniciou a imunização de garotas de 11 a 13 anos contra o vírus HPV, no intuito de prevenir os riscos de câncer de colo de útero. Mas, apesar do benefício que prega, muitas mães têm lá suas dúvidas sobre permitir ou não que suas filhas tomem a vacina. Você já decidiu o futuro de sua pequena?

Vamos ouvir duas opiniões contrárias sobre a vacinação contra o HPV de duas mães que prezam pela saúde de suas filhas da mesma forma.

"Os benefícios vão além"

Branca Santos, de 35 anos, e mãe de seis (SEIS!) meninas e 2 meninos, se mostra favorável à aplicação da vacina e estende suas vantagens. "Os benefícios vão além. Ao falarmos com as nossas filhas sobre o tema, já damos a elas informações sobre doenças sexualmente transmissíveis", justifica a mãe.

Ela, que acredita que os riscos sejam mínimos perto dos benefícios e recebeu a recomendação da médica da família, prefere não deixar o futuro nas mãos das adolescentes: "Decidi pela vacinação porque, em nossos tempos, as meninas não contam com doenças, tomam a pílula, mas esquecem que se previnem apenas da gravidez e não das doenças", explica.

O diálogo também permeou a decisão: "Eu falei da importância da vacinação, os benefícios em relação às doenças sexualmente transmissíveis e sobre a prevenção do câncer de colo de útero. Elas sentiram um pouco de medo, por não gostarem de vacinas, mas quando souberam que prevenia o câncer aceitaram muito bem", relata a matriarca.

Sobre a vacina incentivar o início da vida sexual das meninas, ela não vê problemas: "Isso parte da educação que as mães dão às filhas e não da vacina. Apenas uma delas iniciou a vida sexual e conversamos sobre. Mas as outras aceitaram sem nem pensar que serviria de incentivo", relata Branca.

"Acho que ainda há falta de informação sobre a vacinação. As escolas devem começar a incentivar as pequenas a tomarem e se prevenirem contra o que pode acontecer", completa.

"A eficácia da vacina não foi comprovada"

Aline Silva, de 34 anos, tem duas meninas e se posiciona veementemente contra a vacinação das filhas. De acordo com o que ela leu, no intuito de saber se as vantagens se comprovavam, a conclusão foi negativa: "Observei que muitos são os riscos que essa vacina pode causar, dentre eles doenças autoimunes e cerebrais, infertilidade e até mesmo a morte", diz a mãe, que participa da comunidade "Sou Contra a Vacina HPV", no Facebook.

"A eficácia não foi comprovada. Por ela ser muito nova no mercado, não há nada que garanta que uma menina não tenha câncer de colo de útero ao tomar a vacina. Muitos são os tipos de vírus e essa vacina supostamente ‘protege’ de apenas quatro deles", afirma ela, que não vê qualquer benefício na imunização.

A conversa permeou a decisão: "Eu disse que era uma vacina perigosa, que não tinha garantia de nada e que não me sentia segura para permitir que fossem vacinadas", disse Aline.

"Eu acredito que existem muitos interesses que levaram o governo a fazer essa campanha, mas que jamais serão esclarecidos. O Estado não trouxe ao conhecimento da população os riscos graves que as meninas correm ao serem vacinadas. Minha decisão não é apenas pelo fato de ser cristã, mas também porque a vacina já causou mal às pessoas e seus benefícios não são comprovados", completa Aline.

Recentemente, governo e fabricante da vacina contra o HPV vieram a público reafirmar a segurança e eficácia do método, alegando que as dúvidas são comuns na chegada de uma nova tecnologia. É dito também que, dos 12 mil casos adversos registrados, a maioria é leve, como dor local, vermelhidão, náusea ou desmaios, mas graças à injeção (agulha) e não à vacina.

Conforme a presidente do departamento de adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Maria Ignês Borges Saito, os benefícios da vacina superam os riscos. "Tem que vacinar. São organizações sérias que aprovaram a vacina", enfatiza. Para ela, ainda que sejam poucos os casos de HPV que resultem em câncer, "são poucos de uma quantidade muito grande de infecções", argumenta. "Não dá para saber em quem vai acontecer."

Ela vai além. Apesar de o câncer ser a justificativa para a vacinação, a médica pondera que as verrugas genitais também são um problema de saúde pública. "Elas não causam câncer, mas são um flagelo; são estigmatizantes, altamente contagiosas e difíceis de tratar", alerta.

Se as dúvidas persistirem, converse com um médico de confiança, leve a ele seus questionamentos e decida, ao lado do profissional da família, o que fazer sobre o assunto. Conhecimento nunca é demais!

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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