Uso consciente de antibióticos em crianças

Uso consciente de antibióticos em crianças

Com as temperaturas mais baixas, as chances de se contrair doenças respiratórias aumentam principalmente entre as crianças. Os pais ficam preocupados com a evolução de certas inflamações, entre elas, amigdalites, otites e sinusites, e recorrem ao uso errado de antiinflamatórios ou mesmo antibióticos, sem prescrição médica.

As conseqüências podem ser desde o retardo da cura até o disfarce dos sintomas. No caso dos antibióticos, a criança ainda pode ter efeitos inversos ao que se pretende. O uso indiscriminado ainda é responsável pela resistência bacteriana, ou seja, pela eliminação das bactérias que invadem o nosso corpo e às vezes importantes para que se mantenha a imunidade da criança. Com essa medida, outros medicamentos menos invasivos não conseguem fazer efeito.

Ao contrário do que muitos pais imaginam, os antibióticos não servem para tratar todas as infecções. Por esta razão, em muitos casos, mesmo quando a criança parece mais doente, o médico não os prescreve quando há uma infecção viral. Estes medicamentos são indicados apenas para infecções causadas por bactérias e não vírus.

"Não existe ação desses medicamentos contra os vírus causadores dos resfriados e das gripes. O uso indiscriminado de antibióticos, considerado um recurso não renovável, pode comprometer a eficácia dos mesmos em casos necessários e apropriados, prejudicando inclusive as futuras gerações", alerta o otorrinolaringologista Ricardo Neves Godinho.

Por este motivo, os próprios pediatras indicam sempre que os profissionais devem ficar atentos aos sintomas e estágios da doença, e só assim receitar os medicamentos mais indicados, inclusive as quantidades e intervalos necessários.

Godinho ressalta que a principal indicação do uso de antibióticos na infância é para o tratamento da infecção de ouvido causada por bactérias, no caso de otites, e mesmo assim para ser usado deve se levar em conta a idade da criança e a intensidade da otite.

É um consenso entre os profissionais de saúde que todas as crianças até seis meses de idade devem receber antibiótico com otite confirmada ou mesmo suspeita. Em crianças de seis meses a 2 anos, o antibiótico é indicado somente quando forem casos graves, com muita dor e febre superior a 39 graus. Acima dos dois anos de idade aconselha-se a esperar de 48 a 72 horas e reexaminar a criança para verificar se há melhora ou não antes de utilizar antibiótico.

De acordo com Tania Sih, professora e doutora com especialização em otorrinolaringologia, nem sempre uma amigdalite necessita de um antibiótico. "O médico sempre deve analisar um conjunto de fatores para receitar este tipo de medicamento. Muitas vezes, o estágio desta doença exigirá apenas um analgésico", ressalta.

Durante o uso do antibiótico é preciso levar em consideração as crianças alérgicas à penicilina e seus derivados, os pais notam isso através de manchas na pele, semelhantes a urticária, que aparecem depois de algum tempo de uso do medicamento. O próprio médico irá indicar outros antibióticos para quem é alérgico ao componente.

Quando realmente é indicado pelo médico no tratamento de doenças, o antibiótico deve ser consumido na dose recomendada, no número correto de dias e intervalos adequados, lembrando que doses pequenas demais podem não ser eficazes e altas concentrações do antibiótico trazem diversos efeitos colaterais. A dose é calculada sempre em função do peso da criança.


Se por algum motivo a mãe esquecer de dar a dose no horário correto, a criança poderá tomá-la logo que for possível, mesmo se ultrapassar algumas horas. Com o novo horário estabelecido para as doses, a mãe deve remanejar os intervalos, geralmente o tratamento completo é feito entre sete e dez dias.

Por Juliana Lopes

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