Um novo dia da mulher, o mesmo dilema ‘família e trabalho’

Um novo dia da mulher o mesmo dilema ‘família e tr

Foto: Ambro goo.gl/Lovq3

"Você pode ser demitida amanhã, mas você sempre será mãe." Frases como essa pontuaram um estudo feito com ex-alunas da Universidade de Stanford. Nesse estudo, observa-se facilmente que quando chegam os filhos, eles se tornam prioridade máxima na vida da mulher e a carreira acaba indo para o segundo plano. Não sei se isso é uma verdade absoluta para todo mundo. Talvez as mulheres brasileiras tenham mais suporte do que as americanas para continuar levando suas carreiras (empregada, babá, avós). E por outro lado, na maioria das vezes, elas precisam ajudar no orçamento doméstico, por isso não podem abrir mão do trabalho fora de casa. É verdade que existe uma recusa em relação a assumir cargos mais elevados e posições que exijam sacrifícios como viajar muito ou trabalhar até tarde da noite.

Mas dentro dessa nova organização do tempo e de valores, surge também outra questão, bastante atual para ser lembrada no Dia da Mulher: a maternidade deve mesmo ocupar o primeiro lugar? Há estudiosos que afirmam que as "top executivas" chegaram onde estão colocando os filhos em segundo plano (às vezes), mas que elas não podem admitir isso, pois a sociedade as condena. Uma executiva bem-sucedida sabe que, embora adore a maternidade, às vezes, terá que colocar a carreira na frente dos filhos. Para alcançar postos altos na cultura corporativa, não dá para esperar o filho na porta de casa quando chega o ônibus da escola. Você pode ser vice-presidente ou mãe do ano, mas não ambos!

Isso me soa como pura verdade, não dá para tirar 10 em tudo... é preciso se contentar com menos. E, além da sociedade vendo com maus olhos essa mãe que prioriza o trabalho, essa pressão dos outros é que nos deixa totalmente culpadas. E outra, e se nossos filhos nos culparem por não colocá-los em primeiro lugar? Será que dá para dormir tranquila sob essa acusação?

Em pesquisas que fiz para meu livro, as brasileiras declaram sempre colocar os filhos em primeiro lugar. Numa escala que ia de 1 a 10, os filhos foram considerados de importância máxima - 10 - enquanto o trabalho ganhou apenas 5,4. Se essa for a fórmula de prioridades que funciona para as mulheres brasileiras, elas não ambicionam tanto ser vice-presidentes de empresa, mas dão todo o valor a uma família feliz.

Diante da realidade do mercado de trabalho - que é sustento, mas também realização -, parecem procurar um caminho do meio, fazendo malabarismos para garantir a qualidade de vida e nem por isso, ser alvo de acusações de todo o lado (acho que a reflexão vale também para os homens, que igualmente procuram estar mais presentes na família, ao contrário da geração dos nossos avós).


O desafio nos dias de hoje é: Como dividir bem suas 24 horas entre dedicação profissional e cuidados com os filhos, a casa e o parceiro? Pois é, ano após ano, acho essa uma das grandes reflexões que deveríamos nos ocupar nesse dia 8 de março e também em todos os outros dias de 2012. Fica lançada a provocação e voltamos a nos falar em 8 de março de 2013!

Cecília Russo Troiano é psicóloga, sócia-diretora da Troiano Consultoria de Marca e autora do livro "Vida de Equilibrista". Casada e mãe de 2 filhos, ela afirma que é mãe equilibrista, vive sua vida tentando equilibrar "pratinhos". Email - cecilia@troiano.com.br. Venda do seu livro pelo site www.vidadeequilibrista.com.br

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