Twitter na sala de aula

Twitter na sala de aula

Diminuindo distâncias e facilitando tarefas, a Internet se tornou ferramenta básica para qualquer ambiente, inclusive nas escolas. Desde cedo, as crianças aprendem a mexer no computador e logo recebem a oportunidade de "caçar" informações pela rede mundial e criar perfis em sites de relacionamento de todo tipo.

O número de alunos que hoje tem acesso às redes sociais - Twitter, Facebook e Orkut, por exemplo -, é tão grande que até professores decidiram "entrar na onda". O mais interessante é que esses profissionais conseguiram transformar as ferramentas de relacionamento (que muita gente usa apenas para diversão) em mais uma mãozinha pedagógica para garantir o aprendizado.

O professor de língua portuguesa Tiago Nero Calles, por exemplo, do Colégio Hugo Sarmento, de São Paulo, decidiu que seria interessante testar seus alunos através do microblog Twitter. A ideia era estimular a imaginação dos estudantes e o poder de síntese deles - o Twitter aceita frases curtas, com míseros 140 caracteres - através da produção de mini-contos. "O objetivo central do trabalho foi o de aproximar os alunos da arte literária, mostrando a eles que o valor de um texto não está na quantidade de palavras, mas sim na maneira correta de utilizá-las", explica.

A novidade estimulou os alunos a realizarem o trabalho, pois fez com pudessem utilizar a ferramenta com um objetivo diferente daqueles que eles possuem, além, claro, de sair um pouco da escrita nos materiais convencionais, como lápis, caderno e borracha.

A ideia de trabalhar com o Twitter em sala de aula nasceu a partir do estudo da poesia concreta, no 7º ano. A partir disso, Tiago e a coordenadora do colégio resolveram estimular os alunos a escreverem narrativas inspiradas nas propostas dos poetas concretos.

O desafio deu tão certo que eles continuaram com a atividade. "Eles se sentiram estimulados e desafiados por meio desse projeto, participando com muito desejo das atividades realizadas", diz o professor orgulhoso.

O uso das redes faz com que a educação ganhe um caráter ainda mais coletivo. No artigo "A Sociedade em Rede", Jésus Beltran Llera escreve que no contexto das comunidades virtuais, a construção do conhecimento já é uma atividade social e não meramente individual. Segundo ele, são três as mudanças mais marcantes que configuram o atual contexto pedagógico no âmbito das comunidades de aprendizagem: educativa, psicológica e tecnológica - que aqui nos interessa. "A interpretação da tecnologia como instrumento a serviço da aprendizagem passou por três estágios: aprender sobre tecnologia; aprender pela tecnologia e aprender com tecnologia. Interessa-nos a terceira", escreve.


A beleza da coisa é que a interação proporcionada pelas redes permite encontros e compartilhamento que antes da Internet eram bem mais limitados. "A educação não é um processo solitário; é um processo coletivo. A gente aprende com outras pessoas, olhando o que elas estão fazendo; aprende com as impressões dos outros", finaliza a pesquisadora Raquel Recuero, autora do livro "Redes Sociais na Internet" (Sulina).

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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