TV - o que é inadequado para as crianças?

TV  o que é inadequado para as crianças

É comum os pais chegarem cansados de um dia de trabalho e encontrarem seus filhos ainda acordados e carentes de atenção. A solução mais fácil para entretê-los é um programa de televisão. Assim, a criança fica satisfeita e o adulto pode "descansar a mente", tudo ao mesmo tempo. Mas será que isso é saudável para a família?

A psicóloga Cida Rabelo afirma que essa atividade não é ideal. "Mas é natural os pais agirem dessa forma, pois a televisão exerce um efeito hipnótico, um esvaziamento da mente. Como os adultos chegam cansados em suas casas, costumam buscar algo para relaxar, e encontram a televisão".

O problema, de acordo com ela, é que há muitos conteúdos que a criança não tem maturidade para elaborar: violência, sexo explícito e até algumas notícias dos telejornais. E a situação piora quando a informação é assistida constantemente. "Se o pequeno vê todo dia uma morte ou assalto no jornal, ele pode ficar com medo toda vez que seu pai ou mãe precisar sair do lar, e não saber explicar por quê. Na verdade, no subconsciente, esse filho acha que os pais serão assaltados ou mortos caso saiam de casa".

Um exemplo bem perceptível de reação de uma criança a um conteúdo agressivo a ela é um filme de terror. Ela assiste, mas normalmente grita, se esconde durante as partes mais violentas e ainda tem pesadelos com a história apresentada, na mesma noite ou pouco depois. Mesmo nos casos em que o filho não mostra o medo de forma explícita, a mente vai revelar, mais cedo ou mais tarde, o dano causado pelo programa inadequado. "Isso acontece porque a mente da criança não possui recursos de defesa como a de um adulto. Ela não diferencia o real do imaginário, não tem censura interna", alerta a psicóloga.

As crianças estão, de fato, assistindo muita televisão. "Antigamente, era difícil os filhos ficarem sozinhos em casa, hoje é comum. Os pais trabalham mais, têm pouco tempo para suas crianças. Os lares acumulam televisores, alguns até na cozinha ou banheiro. As moradias são menores, o que significa menos espaço para brincadeiras. As ruas se tornaram violentas e movimentadas demais. Isso diminui drasticamente as opções de distração dos filhos que, então, resolvem ficar a tarde toda vendo TV ou à frente de um computador. Atualmente, os relacionamentos são passivos, por consequência disso", observa Cida.

Outro incentivo para que os pequenos passem grande parte do tempo livre assistindo ao que é exibido na telinha são os costumes dos pais. Como os adultos são referenciais, eles influenciam o comportamento dos filhos. Se veem muita TV, os pequenos também verão, ainda que sejam advertidos a não fazerem isso. "A melhor maneira de ensinar algo a uma criança é dando o exemplo. Se os pais falam uma coisa e fazem outra, ela ficará confusa e provavelmente dará mais valor às atitudes, não às palavras", diz a especialista.

Entretanto, os canais de TV não devem ser vistos como vilões na educação de seus filhos. Cida lembra que, se a família assiste à programação com um objetivo, estabelecendo um tempo limite, bom conteúdo e respeitando a censura exibida antes de cada programa, a atividade tende a ser produtiva e divertida. "É essencial considerar conteúdos que se encaixam ao universo infantil e conversar com a criança sobre o que ela assistiu".

Para selecionar o melhor da telinha para seu filho, é importante que você assista antes a determinado programa. Há canais de TV fechados que exibem desenhos animados e filmes infantis 24 horas por dia. Na televisão aberta, há horários com programação infantil - geralmente de manhã, mas também à tarde. Leve em consideração o gosto e o nível de compreensão da criança.

Além disso, a psicóloga aconselha que a criança cumpra uma rotina - com horários para dormir e acordar - todos os dias, inclusive aos finais de semana. "Para os pequenos, a rotina é fundamental, pois ela dá uma sensação de segurança a eles. E os horários para ver televisão também devem ter horário determinado".


Portanto, é possível assistir à televisão de modo saudável. Mas, outras atividades podem ser feitas com a família unida: caminhada, passeios ao ar livre, e, especialmente, conversas. "A criança precisa sentir que os pais se interessam por ela, por isso é imprescindível que eles perguntem pelo dia dela e compartilhem também seu dia. Através do diálogo, os filhos se interessarão em ouvir os pais e poderão desenvolver suas próprias ideias e personalidade", ensina Cida. "A TV não é nociva em si. Nociva é a maneira como ela é usada", finaliza.

Por Priscilla Nery (MBPress)

Comente