Transtorno que dificulta o aprendizado da matemática

Transtorno que dificulta o aprendizado da matemáti

Tem criança que desde que começa a aprender as primeiras continhas na escola já demonstra grandes dificuldades com a matemática. Esses problemas com a aprendizagem da matéria podem ser justificados por dificuldades nas habilidades pré-requeridas, falhas na compreensão de conceitos, entre outros fatores. Mas saiba que o problema pode ser algo mais sério, um transtorno chamado discalculia.

Apesar de ser um transtorno que muita gente nunca ouviu falar, ele é mais freqüente do que podemos imaginar. Um estudo dirigido pelo matemático americano Brian Butterworth, mostrou que entre 1.500 crianças examinadas, de 3% a 6% delas mostravam sinais de discalculia. Outros estudos desenvolvidos nos Estados Unidos, Europa e Israel mostram quase 5% da população mundial sofre com os sintomas deste transtorno.

De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, Quézia Bombonatto, a discalculia é um transtorno de aprendizagem da matemática decorrente de uma disfunção cerebral, portanto, a criança nasce discalcúlica. “Mas ela só se manifesta quando a criança passa a ter contato com os conceitos e noções de quantidade.”

Quézia alerta que é importante que não se confunda a discalculia com a dificuldade de aprendizagem da matemática (DAM). “A DAM é decorrente de diferentes fatores como: metodologia pedagógica inadequada, falta de compromisso com a aprendizagem, fatores emocionais ou ainda, podem aparecer como sintoma que a criança utiliza para chamar a atenção da família que algo não está bem com ela. Podem ser também decorrentes de outros distúrbios de aprendizagem, como por exemplo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.”

Ela explica que normalmente quem observará a dificuldade de desempenho será o professor que deve encaminhar a criança para um profissional para que o diagnóstico seja adequadamente feito. “O diagnóstico de discalculia precisa ser feito por uma equipe multidisciplinar com profissionais da neurologia, psicopedagogia ou neuropsicologia.”, explica.

Depois que o diagnóstico for feito, o discalcúlico deve ter acompanhamento de um psicopedagogo com seções de no mínimo 2 vezes por semana.

Características

Os discalcúlicos têm inteligência normal ou superior e a aquisição da linguagem (oral, leitura, escrita) acontece muitas vezes de forma mais acelerada, não raro, apresentam habilidades poéticas. Perdem objetos frequentemente e dão a impressão de distraídos. Podem apresentar dificuldades para entender ordens e planejar estratégias em jogos, de lembrar regras e fórmulas. É comum demonstrarem dificuldades em dançar porque não lembram a seqüência de passos de uma dança.

De acordo com Quézia, se não tratados podem apresentar sintomas como inatividade, tornando-se preguiçoso, não fazendo as tarefas, ficando introvertido, triste, muito quieto e sem vontade de ir para escola. Além disso, pode se tornar indisciplinado e nervoso, além de ter baixa auto estima devido a críticas e punições de pais e colegas.

Confira algumas das dificuldades de quem tem o transtorno:

- Dificuldade na memória auditiva;

- Problemas de reorganização auditiva: criança reconhece o número quando ouve, mas tem dificuldade de lembrar do número com rapidez;

- Dificuldade na memória visual;

- Dificuldade de memória em tarefas não-verbais;

- Dificuldade na memória que implica contagem, não memoriza a tabuada de multiplicar, tem dificuldades para recordar seqüências de algoritmos, estações, meses, etc;

- Distúrbios de percepção visual;

- Dificuldade nas habilidades psicomotoras;

- Distúrbios de leitura: apresentam dificuldade em ler o enunciado do problema;


- Distúrbios de escrita: têm dificuldade de escrever os números porque a aquisição do sistema de numeração é muito comprometida;

- Tem atenção seletiva, isto é, distrai-se com estímulos irrelevantes e fadiga-se facilmente quando tenta concentrar-se.

Por Larissa Alvarez

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