Transtorno Obsessivo Compulsivo - saiba reconhecer os sintomas

TOC  conheça os sintomas

O TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) é um transtorno de ansiedade que afeta certa de 4% da população mundial e causa imenso sofrimento. Tal problema, apesar de ser comum entre os adultos, também afeta as crianças, trazendo ainda maiores problemas para o seu crescimento e relacionamento com outras pessoas.

Segundo a Dra. Ana Beatriz Barbosa, psiquiatra e autora do livro "Mentes e Manias", o portador de TOC tem pensamentos negativos e supervaloriza a probabilidade deles acontecerem. Em função disso, acaba desenvolvendo comportamentos repetitivos na tentativa de evitar que eles se concretizem na vida real. "Por exemplo: uma pessoa pensa seguidamente que corre o risco de se contaminar ao usar objetos manuseados por outras pessoas (como maçanetas, portas, notas de dinheiro, etc.). Com isso, pode começar a lavar as mãos seguidamente, evitar apertar as mãos de outras pessoas, tocá-las ou até deixar de sair de casa", explica.

Nas crianças, o transtorno pode ser ainda mais incômodo, porque ela não consegue deixar de repetir aquele mesmo ritual e isso compromete a sua vida na escola, com a família e os amigos. A Dra. Ana Beatriz conta que, nesse caso, é importante prestar atenção no seu filho e ver se aquelas manias típicas da infância não ultrapassam a linha do que é saudável.

"Uma criança que tem pavor de se sujar e precisa trocar de roupa imediatamente, aquela que arruma o quarto de modo que, se alguém mexer em algo, ela se tornará explosiva, são os casos que merecem mais atenção. Outro exemplo são aquelas que não admitem um erro, por exemplo, quando escrevem uma palavra com a grafia incorreta e não são capazes de passar a borracha no caderno, mas arrancam a folha e começam tudo de novo", conta a profissional sobre alguns sinais que demonstram sinais de TOC.

Não existe uma idade certa para a criança começar a desenvolver o TOC, porém, entre seis e oito anos, ela cria um forte pensamento obsessivo, com medo de se afastar dos pais, principalmente da mãe. A Dra. Ana Beatriz afirma que, nesta fase, ela não quer desgrudar da mãe, chora quando ela demora a chegar, etc. Por conta desse medo, ela desenvolve algumas manias, como coçar o nariz três vezes para proteger os pais, só andam nas pedrinhas brancas na rua, e por aí vai. Tudo isso, porém, é muito normal e faz parte do crescimento.

Vale lembrar que TOC e mania são coisas diferentes. Antes de qualquer coisa, é preciso esclarecer o termo médico e o popular da palavra "mania". "Mania, em psiquiatria, é um estado de alteração de humor em que a pessoa fica agitada, eufórica e irritadiça. É um quadro que aparece em transtornos de humor, como o bipolar, antigamente chamado de psicose maníaco-depressiva. No entanto, o termo é popularmente usado para definir comportamentos esquisitos, repetitivos e que as pessoas consideram exagerados".

A mania é algo que todos nós temos, seja por gostar de limpeza ou somente por sair da cama depois de encostar o pé direito no chão. Para que ela se transforme em TOC, é necessário que haja sofrimento e afete setores vitais, seja social, acadêmico, afetivo, profissional ou familiar. Além disso, o TOC está diretamente relacionado a pensamentos obsessivos de conteúdo negativo e de difícil controle.

As crianças e os adultos desenvolvem o TOC de formas diferentes, mas ambos precisam ter uma pré-disposição genética e um fator que o desencadeie. A psiquiatra diz: "Nas crianças, pode acontecer um estresse prolongado, que dure entre um e dois anos, como a separação complicada dos pais, algum parente com uma doença séria, o bullying na escola. Essa carga genética também as torna mais perfeccionistas e extremamente controladoras".

O tratamento é o mesmo feito em qualquer idade, sendo necessário o uso de medicamentos para o controle do transtorno. Por ser algo que mexe com a taxa de serotonina, a Dra. Ana Beatriz afirma que o correto é utilizar remédios para controlar essa taxa e terapia para expor a criança ao objeto de obsessão e a situações em que, antes, ela achava catastróficas. Dessa forma, a paciente pode perder completamente o medo e o receio, fechando, assim, o ciclo de pensamentos ruins.


"O TOC é um transtorno comportamental, seja leve, moderado ou grave. Sempre requer tratamento e não tem como melhorar espontaneamente. Cuidar do transtorno na infância abre uma possibilidade enorme de que, na idade adulta, fase mais crítica, ele fique em grau mais leve", finaliza a psiquiatra.

Por Carolina Pain (MBPress)

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