Tragédia em Santa Maria - o que muda no relacionamento com os filhos?

As lições da tragédia em Santa Maria

Foto: Pete Leonard/Corbis

Na madrugada de domingo (27) um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, deixou mais de 230 mortos e 116 feridos. Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo começou depois que o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, responsável por animar a festa universitária, lançou um sinalizador. Muitos jovens morreram intoxicados pela fumaça e outros, pisoteados, tentando sair pela única porta que havia na casa noturna.

Além da tristeza que toma conta dos familiares e amigos das vítimas dessa tragédia, o sentimento de insegurança dos pais que têm filhos jovens em casa se intensifica. Muitos deles devem estar pensando em como proteger seus jovens de fatalidades como essa de Santa Maria. Como proceder a partir de agora, ao ver os filhos saírem de casa para uma balada com os amigos?

Na opinião de Sônia Vespa, mães de duas meninas, uma de 22 e outra de 15, os pais passaram a tomar medidas ainda mais preventivas. Se antes a preocupação dos pais era com as drogas, agora a segurança das boates será mais uma. "A gente pré-julgava que tinha tudo na balada - saúdas de emergência, extintores de incêndio em perfeito estado - e esse incidente fez a gente perceber que não é bem assim", alerta.

Mesmo muito assustadas com a tragédia, Sônia acredita que as mães saberão tocar no assunto de maneira natural com seus filhos. "Não dá mais para apenas decidir se deixar o jovem sair ou não e dar o dinheiro. Os pais vão querer saber onde é o local, vão entrar no Google, pesquisar, ligar para o lugar. Eu me conheço e farei isso", garante. E completa: "Acho também que os próprios jovens vão passar a se questionar sobre isso, pois ficaram bastante mexidos com a tragédia", pensa a mãe.

A psicóloga Regina Elia, diretora da Escola Psicológica Regina Elia e Consultora Psicológica na Educação das Crianças e Adolescentes, é mãe de duas moças: uma de 35 e outra que está completando 18 anos. Ela disse que, como mãe, a primeira coisa que pensou foi: "minha filha não vai a um lugar desses". Mas acha que proibir não é o melhor caminho.

"O jeito é aconselhar. E nessa hora os pais certamente vão bater de frente com o adolescente, pois ele sempre acha que as coisas só acontecem com os outros, e que, se acontecer com ele, será salvo", comenta. "Vai ser preciso enfrentar as caretas que o filho vai fazer, mas essa conversa é sim uma medida de proteção. Os adolescentes não têm maturidade para perceber tantos riscos."

Regina aproveita para ratificar as palavras de Sônia Vespa e diz que as mães precisam investigar o local que os filhos frequentam. "Elas devem entrar no Google, saber se a casa é segura, respeitável, saber qual banda vai tocar... São medidas de segurança", afirma.


Seja para falar das pessoas com quem o filho anda, seja para falar da segurança dentro das casas noturnas, os pais precisam ter em mente que valores como esses ajudam a reforçar a educação e os limites que foram dados na infância. "Os pais precisam confiar na educação que dão. E nunca deixar de aconselhar, de criar vínculos. Se você está preocupada é porque ama", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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