Terror noturno infantil - o que fazer?

Terror noturno infantil  o que fazer

Foto: Jamie Grill/Tetra Images/Corbis

Ir ao quarto da criança e se deparar com ela sentada na cama de olhos abertos falando ou gritando, ou, ainda, andando pela casa, pode ser assustador para muitos pais. Esse comportamento anormal é conhecido como terror noturno infantil.

Eles acometem crianças em idade pré-escolar, geralmente dos dois aos cinco anos, e tendem a cessar na adolescência. O terror noturno acontece entre meia hora e três horas e meia depois de a pessoa pegar no sono, ou seja, entre 11h da noite e 2h da manhã. Esse distúrbio é difícil de ser identificado nos bebês, porque eles apenas acordam e choram no meio da noite.

"A criança está dormindo e, após um determinado período, ela tem movimentos que a deixam agitada, como um choro forte sem explicação e o batimento cardíaco forte, preocupando os pais. Mas o filho não acorda por conta própria e não entende o que acontece no ambiente", explica Dr. Gustavo Moreira, pediatra e pesquisador do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O terror noturno faz parte da parassonia, um grupo de distúrbios que acontecem no despertar parcial, ou seja, quando a pessoa ainda não pegou no sono profundo. O médico diz que sonambulismo, andar ou falar dormindo e o despertar confusional também integram a parassonia.

"Algumas famílias têm menos ou mais casos, isso varia muito. Pode ser que o sonambulismo ou o falar dormindo sejam genéticos, pois quando os pais ou parentes próximos apresentam o distúrbio a criança pode ter também. O importante é ressaltar que o terror noturno é benigno e não causa danos. A pessoa volta a dormir normalmente e acorda bem no dia seguinte", conta Dr. Gustavo.

Há pais que se amedrontam de verdade e acham até que a criança está possuída, mas calma, segundo estudos, esses comportamentos têm a ver com o desenvolvimento do sistema nervoso central. Como as conexões ainda não estão totalmente estabelecidas, o cérebro fica mais suscetível a instabilidades durante o sono. Há uma espécie de despertar parcial: a pessoa está dormindo, mas realizando atividades que faria durante o dia.

Terror noturno não tem a ver com pesadelo. O primeiro se dá no começo da noite ou madrugada, enquanto os sonhos ruins acontecem mais no fim da madrugada, entre 4h e 5h da manhã, quando a criança pegou no sono profundo. É o chamado R.E.M., ou rapid eye movement (movimento rápido dos olhos).

Além disso, diferente do terror noturno, a criança acorda, conversa direito com os pais, conta o sonho com começo, meio e fim. "O pesadelo costuma ser fruto de algum componente do dia, como estresse na escola, briga na família. E o terror noturno nem sempre tem a ver com o que a criança vivencia durante o dia. Às vezes está associado à febre, crise de asma ou a um evento agitado, como festa infantil", diz o médico.

Em caso de terror noturno, acordar a pessoa não é a melhor solução, porque a intromissão pode prolongar o comportamento e torná-lo frequente. O certo é conter a criança com calma, sem expectativa de que ela vá entender o que está se passando. Os pais devem ser compreensivos, pois essa situação tende a passar. Caso o filho se levante e ande pela casa, leve-o de volta para a cama.


Dr. Gustavo comenta que o distúrbio não ocorre todas as noites, mas de maneira esporádica. Caso o terror noturno acometa a criança com muita frequência, é importante os pais procurarem ajuda médica.

Juliana Falcão (MBPress)

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