Ser ou ter, eis a questão...

Ser ou ter eis a questão

Ser ou ter, eis a questão... Um pouco modificada, a frase de William Shakespeare vem bem a calhar para um número crescente de crianças completamente absorvidas pelo capitalismo desenfreado e que fazem do consumo sua principal fonte de alegria. Perigoso, este tipo de comportamento tornou-se constatação de professores, orientadores e pedagogos que lidam diariamente com o público infantil e é visto por psicólogos como ameaça para conquista da felicidade verdadeira de futuros adolescentes e jovens adultos.

"O ‘ter’ no lugar do ‘ser’ entre as crianças ocorre por dois motivos: uma sociedade capitalista que estimula esse comportamento e a baixa autoestima de muitos meninos e meninas", diz a psicóloga familiar e co-autora do livro ‘Seja Feliz, Meu Filho’, Natércia Tiba. "E, apesar da sensação de remar contra a maré, os pais devem orientar os filhos, apontando que a felicidade independe de bens materiais, no caso roupas ou brinquedos, mas da satisfação e da realização pessoal". Agindo desta forma, ressalta a psicóloga, pais e mães ensinarão às crianças a como saber lidar com as frustrações no futuro.

A tarefa, convenhamos, é árdua. Levar os filhos à escola e deixá-los à mercê do desejo de ser aceito socialmente apenas por ter o tênis do momento ou o brinquedo mais caro da turma estimula os pais a satisfazer os sonhos de consumo das crianças, ainda que isto possa custar o salário do mês. A situação, porém, diz Natércia, pode se tornar uma grande oportunidade educativa.


"Esta é a hora de sentar, conversar e refletir com o filho. Pergunte a ele ‘será que este brinquedo tem capacidade de mudar sua vida’?". É muito importante deixar claro que desejar algo não é pecado nenhum. "Mas conseguir o objeto de desejo significa realizar um sonho de felicidade pessoal e não satisfazer a opinião alheia, mostrando aos amigos que ele ou ela também têm determinado objeto", diz a psicóloga.

Por Adriana Cocco

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