Sair de casa para trabalhar: como lidar com a birra dos filhos?

Birra dos filhos

Todo dia é a mesma coisa: a mãe se arruma para trabalhar e na hora de sair a criança começa a fazer birra, chorar, bater e jogar objetos no chão. Como lidar com esse comportamento dos filhos sem gerar traumas?

Geralmente as crianças que apresentam este comportamento percebem uma brecha dos pais na educação, sabem que podem fazer o que quiser que acabarão tendo o aval dos responsáveis. "A manha nada mais é do que a forma que o filho encontrou de dizer que não está satisfeito com a situação", diz a psicóloga clínica Luize Rodrigues Garé.

Nessas horas, a psicóloga explica que o ideal é o diálogo, ação que precisa ser um hábito no desenvolvimento dos filhos e não um recurso utilizado em horas críticas. "A mãe deve ficar na altura da criança e explicar em tom ameno que precisa sair para trabalhar e que voltará para encontrá-lo em casa. Quando a mãe retornar, deve procurar a criança, mostrando que saiu e retornou", orienta.

Caso o filho insista no choro, Dra. Luize diz que a mãe deve abraçá-la pelo tempo que for possível até que ela se acalme. Na ausência da genitora, essa tarefa fica a cargo de quem cuida da criança nesse período. "Fique atenta. Choro e manha em excesso podem ser sinais de alguma dificuldade emocional ou de que alguma situação está sendo prejudicial à criança. Se o quadro se prolongar por muito tempo, é hora de procurar ajuda do psicólogo."

Em certos casos, a mãe chega a se sentir culpada por trabalhar fora e procura compensar esta falta com agrados e permissividade, o que é muito errado. "O perigo do comportamento permissivo está no fato de a criança não desenvolver recursos internos para lidar com a frustração".

O distanciamento da mãe é perceptível desde bebê, que recorre ao choro para solicitá-la de volta. Para as crianças menores o pensamento de que a mãe sairá para trabalhar e retornará para casa é algo bastante abstrato e de difícil entendimento. "Ver que a mamãe se ausentou é entender que ela sumiu e talvez não volte", esclarece a psicóloga.

Entre os dois e seis anos de idade a criança começa a ter seu pensamento simbólico desenvolvido. Porém, nesta fase ela ainda é bastante egocêntrica e não possui a capacidade de se colocar no lugar do outro, sendo movida pela vontade da realização de seus desejos.


E a psicóloga alerta: quanto mais os pais reforçarem que com o choro o filho consegue tudo, a manha pode se estender até a adolescência. "A permissividade pode ser entendida pela criança como falta de cuidado e de amor, gerando sentimento de revolta e comportamentos de rebeldia. Desse modo, os pais devem exercer o papel de autoridade. De autoridade, não de autoritarismo!"

Por Juliana Falcão (MBPress)

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