Rock in Rio: pais e filhos unidos pela música

Rock in Rio pais e filhos unidos pela música

Foto Cintia, Nick Oliveri (Queens of the Stone Age) e Carol / Arquivo Pessoal

"Rock in Rio é bom para soltar os bichos!", essa foi uma das muitas geniais frases que Meire Marques, de 58 anos, disse enquanto nos contava de quando foi conferir o maior festival brasileiro de música. A empresária foi na terceira edição do Rock in Rio, em 2001, mas não foi sozinha não, levou os três filhos - Carol, de 15 anos, Cintia (13) e César (18) - e o maridão, ou seja, pacote completo pra curtir rock n’ roll.

A mamãe teve um pouco de receio no começo, mas acabou cedendo às paixões das filhas: "Eu tinha um pouco de medo, achava que era meio Woodstock, mas a Carol era fã do grupo Hanson e a Cintia apaixonada pelo Aaron Carter e Backstreet Boys, então resolvemos ir". O trio feminino aproveitou o dia 18 de janeiro de 2001, que recebia as seguintes atrações: N’Sync, Britney Spears, Aaron Carter, Sandy & Junior e Five, ou seja, muito pop na veia!

Os homens da família preferiram (imaginem o porquê) apreciar o dia 20, que rolava um rock mais suave como Dave Matthews, Engenheiros do Hawaii e Kid Abelha.

No meio de 240 mil pessoas estavam as garotas Marques pulando, cantando e, no caso das meninas, realizando o sonho de ver os ídolos de perto. "O que a gente não gostou foi que a Britney não cantou, mas eu gosto de música, sempre gostei, então me diverti muito", conta a mãe. E brinca: "A gente cantou o show inteiro, eu não sei falar inglês, mas tudo a gente dá um jeito, né?"

Experiências como esta, entre mãe e filha, são inesquecíveis e viram uma destas histórias pra vida toda. "A gente pode até não ir mais pra nenhum Rock in Rio, mas este já foi bem marcante, já valeu a pena", conclui a empresária.

Rock in Rio pais e filhos unidos pela música

Foto Cintia e Taylor (Foo Fighters) / Arquivo Pessoal

Mas para quem pensa que esta foi a primeira vez que a família desfrutou de momentos musicais está muito enganado, Meire conta: "Lembro de uma vez que na escola da Cintia tocaram a música ‘Geni e o Zepelim’, de Chico Buarque e apenas ela sabia cantar. Isso porque em casa já havia ouvido e sabia de toda a ideologia que a letra trazia, pois nós contamos". E acrescenta: "Caetano Veloso, Pixinguinha, Beatles, Noel Rosa, música é isso, e gostar de música é muito bom, a pessoa que acorda cantando com certeza vai ser mais feliz".

Adepta daquele velho ditado popular "Quem canta seus males espanta", Meire segue a vida sempre na companhia de alguma melodia: "Musica é bom quando a gente está triste e melhor ainda quando a gente está feliz, só de cantar já anima e a gente sempre procurou passar para os nossos filhos coisas boas".

Meire conta que na sua infância e adolescência em São Paulo, sua família era muito pobre, não tinha televisão e nem luz elétrica para ouvir o rádio, então seu pai pegava o violão e ficava tocando: "Isso distraia a barriga e fazia com que a gente tivesse momentos de alegria que não teríamos sem a música", conclui.

Rock in Rio pais e filhos unidos pela música

Foto Meire e Euclides (marido) / Arquivo Pessoal

Vimos os primeiros capítulos da história de uma pessoa que, desde sempre, foi apaixonada pela música, encontrando nela um diário para suas emoções, e que, depois de muitos anos, pôde compartilhar com sua família, principalmente com suas filhas, um pouco da melodia que tanto gosta.


Concluímos assim, que o Rock in Rio - ou qualquer tipo de show musical - não é apenas um palco com uma banda em cima, dedilhando algumas cordas e sacudindo a dupla de baquetas. É transcender lembranças, marcando momentos inesquecíveis na mente de cada um dos expectadores. E levar, junto do coração do público composto por mães e pais, essa eterna sensação nostálgica de poder reviver sua adolescência.

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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