Rock in Rio - comportamento sexual hoje e na década de 80

Rock in Rio  sexo nos anos 80 e hoje

Foto: Divulgação

O maior festival brasileiro de música, o Rock in Rio, teve sua estreia no ano de 1985, na cidade do Rio de Janeiro. Naquela época os jovens curtiram shows de Ozzy Osbourne, Queen, AC/DC, Scorpions e outras diversas atrações que fizeram o chão carioca tremer. Atualmente notamos que as apresentações musicais sofreram mudanças nítidas, assim como os estilos de roupa, cabelo e, como veremos, o comportamento sexual.

Década de 80

As diferenças da década de 80 para o que vivemos atualmente é monstruosa. As alterações aconteceram sutilmente e as pessoas foram se adaptando conforme suas rotinas pediam. Falando sobre sexo, para termos uma idéia, nos anos 80 ninguém tinha costume ou obrigação de usar camisinha, a AIDS ainda estava para se espalhar e as únicas formas de acesso à pornografia eram as revistas, como Playboy ou Status.

Foi nesta década que ocorreu o BOOM da AIDS, este fantasma que começou a destruir vidas e ídolos da música. "Na década de 60 e 70 se teve a liberação da sexualidade, uma verdadeira revolução sexual. Em 80, com o aparecimento da AIDS, ficou clara a repressão desse movimento", explica a psicóloga e sexóloga Dulce Barros. Foi a partir de então que a conscientização do sexo seguro começou a se destrinchar mundialmente e as conversas entre pais e filhos, que antes eram nulas, surgiram. Nas escolas também a educação sexual se torna matéria importante.

A atitude feminina - apesar de em 60 e 70 ter estourado o feminismo - era mais pacata e passiva, como conta a sexóloga Carla Cecarello: "O rapaz não se sentia pressionado em ter uma boa performance durante o sexo, ao contrário de hoje, que a mulher exige coisas e pode até sair falando mal dele nas rodinhas femininas".

A posição feminina nos relacionamentos também mudou bastante em relação a essa década. Hoje em dia as mulheres são tão fãs do sexo casual quanto os homens: "Hoje as pessoas estão adeptas a solteirice", afirma Carla. Qualquer menina pode ir a uma festa, uma balada e "ficar" com quantos quiser sem se preocupar com sua reputação, o que era inadmissível nos anos 80.

Um garoto hoje em dia que tem acesso à internet e a diversos filmes eróticos tem que agradecer muito por ter nascido depois dos anos 90. Em 80 a internet nem sonhava em brotar no Brasil e os filmes em VHS eram caríssimos inicialmente. O mercado do sexo nesta época estava com um sorriso no rosto por causa da popularização das locadoras, mas mal sabia de quão largo este sorriso se tornaria alguns anos depois com as páginas da rede.

Internet - Informação, relacionamentos e a lei

Porém a internet não trouxe apenas a sacanagem. Agora, não só jovens, mas todo o ser humano com um computador ligado à banda larga tem acesso a milhares de informações e curiosidades sobre o sexo. Para saber como se prevenir ou onde achar um parceiro legal, basta sentar na cadeira e clicar onde interessar.

Com as redes sociais como o Orkut, Twitter ou Facebook ficou mais fácil de encontrar comunidades ou grupos que possuam gostos similares aos seus, e assim conhecer pessoas para um relacionamento. "Os compromissos ficaram mais frouxos atualmente, grande parte por consequência da comunicação na web, muitas pessoas se escondem atrás do monitor e não mostram o que realmente são", revela Dulce.

Além disso, a infidelidade encontrou na internet outro meio de se expor. A própria lei já reconhece a rede como meio de traição entre os relacionamentos. "Alguns juízes já reconhecem que se a pessoa tiver um(a) amante virtual e for provado por meio de impressão de e-mails ou outra forma, é adultério", diz Carla.


Com esse paralelo básico das mudanças que ocorreram desde o primeiro Rock in Rio até hoje

podemos entender como a sociedade se transforma aos poucos. Bastou apenas duas décadas para que tudo evoluísse, desde a música até ao sexo. As doenças, a internet, os comportamentos, tudo isso serve de aprendizado, seja para revermos nossas atitudes, seja para entendermos certas necessidades da vida.

E nós, como diria Raul Seixas, seremos sempre essa metamorfose ambulante.

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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