Reincidência de gestação em adolescentes

Reincidência de gestação em adolescentes

Insegurança, problemas financeiros e preparo psicológico, uma gravidez na adolescência envolve essas e muitas outras questões. Se não bastasse às dificuldades de ter um filho muito jovem, meninas também ficam grávidas novamente pouco tempo depois. Uma pesquisa realizada pelo setor de Planejamento Familiar da UNIFESP comprova isso em números. Dentro do universo pesquisado, entre 264 mães e adolescentes, 73,5% já possuíam uma gestação, 24,2% duas e 2,3% três quando iniciaram o programa de orientação.

Outro dado relevante é que, em média, essas meninas começam a vida sexual aos 15 anos. E logo depois de um ano a gravidez já foi confirmada. Razões mais do que suficientes para aumentar a abrangência dos programas de prevenção sexual também entre adolescentes que já tem filhos. "Jovens que já possuem a experiência de uma gravidez precisam receber atenção especial, para que sejam informadas sobre o uso adequado de métodos contraceptivos. O ideal é que elas tenham acesso a métodos de longa duração como o dispositivo intrauterino (DIU), sistema intrauterino (SIU), injeções trimestrais ou implante", afirma a Dra. Cristina Guazzelli.

Além de se informarem mais sobre formas de prevenção, adolescentes também devem ser alertados sobre a realidade de se ter um filho hoje em dia, diálogo praticado em casa e dentro das escolas.

"Sem dúvida nenhuma a educação sexual é um dos principais fatores que interferem na decisão ou na condição de uma jovem de engravidar na adolescência. É fundamental que os adolescentes não apenas saibam, mas de fato tenham consciência do porque este corpo se reproduz, o impacto que uma gravidez pode trazer na vida deles, e como evitar em um momento que eles não estão prontos para isso. Portanto, o trabalho com educação sexual é imprescindível na vida desses jovens", destaca Maria Helena Vilela, educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan, que desenvolve metodologia e capacita profissionais para atuar em educação sexual.

Mesmo porque, além de renunciarem muitas vivências da juventude, mães adolescentes também chegam a abandonar a escola e comprometem o seu futuro profissional. "A jovem que engravida, especialmente quando há baixo nível socioeconômico, é direcionada para a responsabilidade da criação do filho e do encargo doméstico o que a faz interromper os estudos. Consequentemente, isto a afasta do mercado de trabalho e perpetua a sua dependência financeira", afirma a Dra. Cristina Guazzelli professora adjunta do Departamento de Obstetrícia da UNIFESP.


A própria universidade fez uma pesquisa sobre isso intitulada "Qualidade de vida entre adolescentes mães e não mães". O estudo foi feito durante nove anos com dois grupos de adolescentes da mesma escolaridade - 40 mães e 76 não mães -, sendo que 57,5% interromperam os estudos após a gestação e somente 27,5% destas retornaram a escola. O estudo revela ainda que 36,7% das mães não trabalham para cuidar dos filhos e 67,5% destas tem renda familiar inferior a três e meio salários mínimos.

Por Juliana Lopes

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