Refeições em família: como preservar essa tradição?

Refeições em família como preservar essa tradição

A vida corrida definitivamente transformou profundamente certos costumes e tradições que eram comuns para a sociedade em geral, e especialmente para as famílias. Um deles, que está quase desaparecendo nos dias de hoje, é o hábito de fazer as refeições junto com toda a família. Mas por que será que isso aconteceu?

Uma das possíveis respostas é que o estilo de vida mudou muito, pelo menos nas cidades. "Vivemos num mundo em que o individualismo é reforçado pela possibilidade de se comunicar com outras pessoas o tempo todo", observa a psicóloga Cida Rabelo.

Ela lembra que antigamente os parentes viviam mais unidos, inclusive no trabalho. Vários pais ensinavam aos filhos seu ofício, e estes davam continuidade aos negócios da família. Mas, com o tempo, cada um passou a trabalhar numa fábrica diferente, depois a ter profissões diversas e contatos fora do grupo familiar. "Logo, a tradição em relação à família comer unida foi ficando em segundo plano. Porém, este hábito prevalece nos pequenos centros, onde a família trabalha e mora junto".

É fácil ver que a rotina nos grandes centros urbanos realmente não deixa muito tempo para gastar em relacionamentos, mesmo entre indivíduos que vivem na mesma casa. Esse é o caso de Juliana Paiva. "Todo mundo trabalha na minha casa, então ninguém almoça junto. Na hora de jantar, isso também fica difícil, já que eu faço faculdade à noite e prefiro comer assistindo TV no meu quarto", conta.

Já a família da estudante Mayara Guerrero prefere preservar o hábito de jantar reunida. "A rotina em casa é muito corrida, cada um tem um horário, mas geralmente jantamos juntos, no sábado isso também acontece. Só no domingo que cada um vai pra um lado e ficamos apenas eu, minha mãe e meu pai", declara.

Esse costume vem dos pais da estudante. A dona de casa Marilú Guerrero, mãe de Mayara, não dispensa uma refeição na presença do marido e das filhas. "Acho importante, porque é um momento em que podemos conversar, resolver os problemas e fazer planos", justifica.

Cida acredita que fazer as refeições em família pelo menos aos finais de semana traz mais união para o grupo. "Cria-se uma consciência de unidade e comunhão. Todos os indivíduos do sistema familiar compartilham de um mesmo ato, que é se alimentar em conjunto", afirma.

Além disso, é uma boa oportunidade para criar mais intimidade com os familiares. "Todos podem aproveitar este momento para falar do seu dia, compartilhar com a família os seus sentimentos, as suas experiências. São bons momentos, boas lembranças que fortalecem vínculos e desenvolvem afetos", diz a psicóloga.

Mayara acredita que várias famílias não se dão bem porque não desfrutam de momentos de união. "Se todas as famílias se reunissem, isso poderia evitar o término de algumas e até o envolvimento de adolescentes e adultos em problemas como drogas e álcool", lamenta.

Apesar do isolamento da maioria dos indivíduos que moram numa casa ser algo cada vez mais comum, existe o outro lado. Muitas famílias ainda preservam o almoço de domingo, com todos os parentes reunidos. "Fazer refeições em família é indiferente em relação ao diálogo, porque gosto de comer calada. Mas em ocasiões especiais, como num almoço de domingo, não vejo problema em comer e conversar", admite Juliana.


Preservar as tradições em si não é o essencial, e sim guardar o sentido delas. Mesmo com a correria própria das cidades, ainda é possível manter um bom relacionamento com a família, se nos lembrarmos de que o motivo para termos mãe, pai, filhos e parentes é para que todos se ajudem e cresçam juntos. Portanto, tente manter o diálogo com todos os membros de sua família, pois são eles que sempre estão ao nosso lado, nos bons e maus momentos.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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