Quando os meninos viram homens

Quando os meninos viram homens

Com as meninas, é quase natural aquela primeira consulta ao ginecologista, logo quando a primeira menstruação vem. Com os meninos, a visita ao urologista não é assim tão natural. Muitas mães nem sabem da importância de levar os filhos nesse especialista.

Mas existem duas fases distintas em que os filhotes podem precisar da ajuda desse profissional. Na infância, logo depois de nascerem até deixarem as fraldas, e na adolescência. "Durante a infância, doenças como a fimose, a criptorquidia [testículo não-descido], a hidrocele e a torção do testículo são as causas mais comuns. Durante a adolescência outras patologias como ejaculação precoce, varicocele, câncer de testículo, além claro, de uma educação sexual adequada são motivos de uma consulta urológica de rotina", afirma o urologista Oskar Kaufmann.

Preocupado com a pouca orientação sexual dada aos meninos, Oskar acha que esse é um dos principais motivos para realmente considerar à consulta a um urologista. "Como as dúvidas dos rapazes não são esclarecidas, eles amadurecem com falsas ideias sobre a sexualidade masculina. Muitos problemas que surgem na vida adulta poderiam ser evitados se os rapazes recebessem orientação sexual adequada", indica.

As doenças sexualmente transmissíveis e a ejaculação precoce, por exemplo, são alguns dos problemas que podem ser já tratados cedo. "Se o adolescente vive repetidamente situações em que precisa atingir o orgasmo rapidamente, seu corpo pode ficar acostumado em oferecer uma resposta rápida ao processo de prazer que o cérebro comanda", explica Oskar, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia e também da American Urological Association (entidade americana).

O maior objetivo do acompanhamento médico já na adolescência dos meninos está relacionado a informá-los sobre sexo e comportamento sexual, doenças sexualmente transmissíveis e as grandes transformações que o corpo e a mente de um garoto sofrem, até este se transformar em um homem adulto. "Dentre os assuntos, a fertilidade deve estar sempre em pauta, porque a fase de desenvolvimento sexual secundário, responsável pelas transformações, age também sobre os testículos e, logicamente, sobre a produção dos espermatozóides. Nesta fase da vida, alguns fatores como o uso de drogas e varicocele, por exemplo, podem comprometer a vida reprodutiva destes pacientes indefinidamente".

Dúvidas sobre tudo isso podem ser sanadas num consultório facilmente. "Fatores como desempenho sexual, tamanho do pênis, ejaculação, camisinha, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis, Aids, nunca saem de moda nas conversas com o médico".


O que os pacientes devem saber, independentemente de qualquer idade, é que uma vida sexual saudável está intimamente relacionada a hábitos de vida saudáveis, principalmente durante a formação não só dos caracteres sexuais secundários, que ocorrem na adolescência, assim como na formação do caráter do indivíduo. "O uso de drogas (cigarros, bebidas em excesso, anabolizantes, cocaína, maconha), obesidade, estresse e sedentarismo estão fortemente relacionados com a vida sexual. Portanto, uma alimentação adequada, exercícios físicos regulares, orientação sexual, tratamento adequado de doenças como colesterol, diabetes, hipertensão são imprescindíveis para a manutenção de uma vida sexual saudável". E os cuidados com tudo isso começam cedo. Antes mesmo dos meninos virarem homens.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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