Quando os filhos pensam que são super-heróis

Quando os filhos pensam que são heróis

Para você, seu filho é um super-herói? Com certeza sim. Se ele tem entre três e cinco anos, provavelmente ele tem certeza de que é o próprio Super-Homem, o Homem Aranha ou o Batman. É neta fase da infância que as crianças mais fantasiam sobre histórias miraculosas de superpoderes.

Segundo Maria Irene Maluf, especialista em psicopedagogia e educação Especial, este ato é importante por que é nesta fase que as crianças criam parte de sua identidade: "Por conta do comportamento desses super-heróis e do acolhimento caloroso e reforço positivo de seus feitos heróicos pelas pessoas, as crianças passam a desejar ser como eles, reconhecidas como os ‘bons’ personagens que lutam contra os ‘maus’ e sempre saem em vantagem".

A psicopedagoga explica que, pelo fato de os super-heróis apresentarem características humanas e sobre-humanas, são mais próximos das crianças que os personagens das fábulas infantis. "Eles podem ‘experimentar’ o poder de ambos os lados: o negativo assustador do ‘cara mau’ e os resultados positivos do ‘bom rapaz’. Isso permite que as crianças tenham, gradativamente, mais controle de seus medos", esclarece Maria Irene.

Entretanto, essa é uma brincadeira que pode oferecer riscos à criança. Como as personagens em questão podem voar, correr velozmente, nadar, entre tantas outras habilidades, é comum que os pequenos queiram imitá-las. "Crianças com menos de seis anos, de modo geral, não devem ficar totalmente sozinhas, pois sua imaginação ainda se confunde com a realidade e os perigos de uma brincadeira ultrapassar os níveis aceitáveis de riscos são maiores do que em outras idades", expõe a especialista.

Porém, não há motivos para pânico. Segundo a psicopedagoga, crianças mentalmente saudáveis supervisionadas por um adulto que dialogue com elas dificilmente se expõem à riscos de grande intensidade. "Se a criança acha que pode voar, deixá-la ‘voar’ de uma cadeira, já é o bastante para que perceba que isso não é possível. Mas, casos extremos devem ser levados a um profissional, que ajudará os pais a vencerem esse desafio", sugere Maria Irene.

Com a devida supervisão, essa expressão de criatividade é muito positiva para o desenvolvimento infantil. "Ela estimula a imaginação, raciocínio, as competências linguísticas, canaliza a energia em torno do movimento físico organizado e ajuda a compreender seus sentimentos, angústias, desejos e seu lugar no mundo", explica Maria Irene. Apenas quando a criança fica excessivamente focada na figura de um herói, deixando de lado outras brincadeiras e sofrendo prejuízos na relação social é que os pais devem ficar preocupados.


As meninas passam por essa fase de uma maneira diferente. Meninos são mais propensos à movimentação física intensa e, por isso, correm mais riscos de se machucarem sempre na maioria das brincadeiras. "Mas acredito que hoje meninas e meninos têm muitas brincadeiras em comum e o cuidado deve ser igual, independentemente do sexo", pontua a especialista.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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