Quando é a hora do segundo filho?

Quando é a hora do segundo filho

Assim como muitas mulheres, quando Emileni Beato da Silva, 32, se tornou mãe e viu o pequeno Guilherme crescer, a vontade de ter um segundo filho em seus braços só aumentou, principalmente quando o primogênito começou a pedir um novo irmãozinho. "Isso aconteceu em um Natal. Ao invés do presente, ele queria ganhar um irmão", conta a professora emocionada.

Depois de ouvir a experiência de várias mães, ela resolveu programar a vinda do próximo filho e se planejou financeiramente. "Preferimos dar um intervalo maior entre os dois por conta da criação deles. É mais fácil quando eles têm uma boa diferença de idade". Oito anos depois veio o pequeno Gabriel, que completa dois anos em Dezembro deste ano.

"O meu maior receio era em relação ao ciúmes e se conseguiria dar atenção ao dois igualmente. Como iria dividir o meu amor. Mas isso aconteceu naturalmente e hoje consigo administrar isso. O mais velho entende quando o Gabriel precisa de uma atenção maior. Fora isso tem a questão financeira. Hoje o Gabriel toma todas as vacinas e as doses são intercaladas a cada dois meses. Imagine só se o Guilherme também estivesse em uma idade próxima?", aponta.

Segundo a psicóloga Ana Lúcia Gomes Castello, colaboradora do Hospital Infantil Sabará, não existe um período ideal para ter o segundo filho. "As adaptações da chegada do primeiro filho são muitas e a mãe precisa estar segura de que pode encarar novamente o exercício da maternidade. O planejamento deste segundo filho é muito importante para que o casal esteja apto a recebê-lo em todos os aspectos", esclarece. Em relação a saúde da mulher, principalmente durante a gestação, o obstetra Corintio Mariani Neto, diretor técnico do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros e diretor da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), aponta a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que indica aguardar um intervalo de pelo menos dois a três anos entre duas gravidezes para diminuir os riscos para mãe e bebê.

Na opinião do obstetra, cada gravidez deve ser encarada como única. "Uma gestação normal não garante que tudo que vá bem na seguinte, do mesmo modo que eventuais problemas da primeira não obrigatoriamente se repetirão na próxima. Em geral, os sintomas desagradáveis (náuseas e azia) são menos intensos ou melhor tolerados na segunda gravidez. Há um detalhe exclusivo da segunda gravidez - a existência do primeiro filho, além de toda a atenção e cuidados que a criança exige. Por isso, quanto mais desenvolvido o primogênito, melhor", diz Neto. Entretanto, conforme a psicóloga, um intervalo menor entre um filho e outro, principalmente do mesmo sexo, beneficia os pequenos durante as suas fases de desenvolvimento.

"Crianças que têm irmãos do mesmo sexo, próximos um do outro, podem ter a oportunidade de curtir o mesmo jogo de futebol, a mesma brincadeira de casinhas numa fase onde ainda são considerados pequenos; como também, numa fase de adolescência poderão amadurecer trocando uma série de experiências lado a lado. A proximidade de idade faz com que a criança se sinta sempre acompanhada e protegida porque em quase todas as situações podem ser parceiros um do outro. A experiência prática mostra que as crianças que tem diferenças de idade muito grande em relação aos irmãos muitas vezes podem tornar-se superprotegidas pelos pais e pelos próprios irmãos, e isto pode levá-los a terem comportamentos inadequados pela dificuldade de lidar com a frustração de situações que não são exatamente como gostariam que fossem", ressalta Castello.

Mas a psicóloga lembra que acima de tudo é importante que o casal saiba o seu tempo e tenha filhos do que foi proposto para o desenvolvimento da família de acordo com a situação de vida conjugal. Se o intervalo é muito extenso, mais ainda, se os pais já são mais velhos, a profissional lembra das dificuldades em recomeçar tudo de novo. "Isso pode ser uma tarefa difícil, por vários aspectos a serem considerados: cansaço físico, idade e disponibilidade para direcionar toda a energia para a criança pequena", acrescenta.

Em relação ao ciúmes, por sinal bem administrado pela mamãe Emileni, a preparação com o filho mais velho deve ser gradativa, desde o momento de contar a notícia da gravidez. "A criança precisa entender que vai perder algumas coisas, mas vai ter a segurança de continuar a ter o amor e a segurança dos pais, pois é muito difícil para uma criança pequena perder o trono. É importante que se sinta acolhida, e para isso os pais precisam ter paciência e entender que em algumas situações o que gera ciúmes na criança é a falta de atenção total", diz. Isso na prática significa dividir o tempo entre mamadas, cuidados com o bebê e atenção com o irmão mais velho.


Ao passo que mamães têm dificuldades em dividir as atenções entre os filhos, a segunda gravidez é na maioria das vezes mais segura e tranqüila pela experiência anterior. "Normalmente quando as mulheres engravidam pela segunda vez sentem um conforto muito grande, o mesmo acontece na hora de criar e educar. Esta repetição da experiência da nova chegada de um segundo filho possibilita que os pais consigam realmente ter uma relação mais saudável com o bebê, porque estão mais práticos, seguros e confiantes", acrescenta, seja com intervalos maiores ou não.

Por Juliana Lopes

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