Quando deixar o pediatra e procurar um hebiatra?

Quando deixar o pediatra e procurar um hebiatra

Foto: FreeDigitalPhotos http://bit.ly/JHVdLe

A fase mais delicada dos filhos é a adolescência, quando deixam de ser crianças, mas também ainda não são adultos. Neste período, as mudanças físicas, hormonais e psicológicas são muitas e os pais devem buscar informações com o profissional de saúde especializado para essa faixa etária, o hebiatra.

Mas se na infância a ida ao médico pode ser um transtorno, na adolescência piorou. Eles nunca acham que estão doentes - a não ser os mais dramáticos - e sentem vergonha de mostrar o corpo ou falar sobre o assunto. Nessa hora o hebiatra ajuda diminuir a ansiedade dos jovens e esclarecer algumas das muitas dúvidas que surgem nesta fase da vida - que vai dos 10 aos 18 anos. O médico é um pediatra com formação específica para lidar com adolescentes.

A especialidade, apesar de não ser muito conhecida, existe há pelo menos 40 anos, e o nome hebiatria é uma referência à Hebe, deusa da juventude na mitologia grega. A Associação Médica Brasileira reconheceu a especialidade em 1998, mas são poucos os cursos de medicina que oferecem essa formação, explica Nilson Becker, pediatra com formação em hebiatria, que atende cerca de 150 consultas por mês, destas 20% são de adolescentes.

Segundo o hebiatra, essa é a fase da vida marcada pelas maiores mudanças físicas, psíquicas e emocionais. As físicas começam na puberdade, antes ainda de caracterizar a adolescência, que é marcada pelas modificações psicológicas e comportamentais. "No início da puberdade, seria interessante fazer uma consulta ao hebiatra, pois este está preparado para orientar e tranquilizar os jovens", sugere o especialista.

Quanto ao comportamento, Becker afirma que não se deve generalizar, como dizer que todo adolescente é tímido. "É preciso ter um bom preparo e jogo de cintura para lidar com pessoas nesta faixa de idade. O profissional deve ter habilidades especiais para conquistar a confiança do jovem e tranquilizar os pais."

De acordo com o hebiatra, os problemas ambulatoriais mais abordados nas consultas com os adolescentes são ligados ao crescimento. Os meninos se preocupam com seu desenvolvimento físico e dos órgãos genitais e as meninas procuram o médico por atraso da menstruação e preocupação com o crescimento dos seios e de pêlos, ou com a falta deles.

As principais queixas dos meninos se referem à baixa estatura, desenvolvimento físico dos músculos e aumento das mamas, doenças associadas ao pênis e também procuram ajuda para aconselhamento na prática de esportes. As meninas já se preocupam mais com o peso e procuram os especialistas em caso de obesidade e transtornos alimentares, além de queixas que envolvem a menstruação, corrimentos e infecções vaginais.

No atendimento aos adolescentes, questões ligadas às doenças sexualmente transmissíveis (DST) sempre são abordadas como forma de prevenção. Atualmente, existem 27 doenças que podem ser transmitidas pelo contato sexual, e no Brasil, são cerca de 2 milhões de pessoas contaminadas com algum tipo delas.

Os especialistas alertam para a necessidade de realização de alguns exames de rotina, e aconselham pelo menos uma consulta no início da puberdade, que deve ser repetida a cada seis meses. Depois desse contato inicial, é recomendada pelo menos uma visita anual ao especialista.


O atendimento é feito junto com os pais ou responsáveis e depois o adolescente fica sozinho com o médico. Esses momentos servem para o jovem ficar à vontade em expor outros problemas e dúvidas que o afligem, e não querem compartilhar com a família. O médico fala com os pais sobre a conduta a seguir e, se o jovem permitir, o médico pode contar o que foi conversado em particular, sempre respeitando sua privacidade.

Por Carmem Sanches

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