Qual a importância da vacina contra HPV?

Qual a importância da vacina contra HPV

Foto: Hero Images/Corbis

As mazelas provocadas pelo Papilomavírus Humano (Human Papillomavirus) ou HPV têm preocupado e muito o Ministério da Saúde. Ele é causador de verrugas genitais e anais, neoplasias e câncer no colo do útero, sendo este o segundo câncer feminino que mais mata no Brasil.

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), válidas para 2012 e 2013, 17.540 casos novos de câncer do colo do útero devem ser detectados no Brasil, com um risco estimado de 17 casos a cada 100 mil mulheres. Para conter essa doença grave e os tumores benignos provenientes do HPV, o Ministério da Saúde declarou que vai vacinar gratuitamente as meninas entre 10 e 11 anos de todo o país contra o vírus.

A Dra. Luisa Lina Villa, professora-adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, professora da Faculdade de Medicina junto ao Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e coordenadora do Instituto do HPV, conta que a vacina é profilática, ou seja, previne a infecção que em algumas pessoas pode causar o câncer.

"A doença é transmitida bem no inicio da atividade sexual, o que hoje está ocorrendo cada vez mais cedo, a partir de 12, 13 anos de idade. Temos que prevenir para alcançarmos alta efetividade. Entre crianças e adolescentes que ainda não foram contaminadas a eficácia é máxima", explica.

Outro fator importante que levou o governo a definir essa faixa etária como alvo da imunização é que as meninas ainda estão na escola. Tanto é que se cogita vaciná-las nesses locais ou em Unidades Básicas de Saúde. "Um estudo recente realizado no Hospital de Barretos, interior de São Paulo, e publicado por Fregnani e colaboradores, demonstrou que a viabilidade de vacinação em escolas para meninas de 10 a 14 anos é de 90% para as três doses", comenta Dra. Luisa.

Especialistas estrangeiros defendem que os meninos também deveriam ser beneficiados pela vacina. A coordenadora do Instituto do HPV concorda, mas pensa que as mulheres são mais afetadas pelo HPV. Os homens têm menos câncer de ânus do que as mulheres, verrugas genitais na mesma proporção e câncer de faringe numa proporção maior do que as mulheres. O câncer de pênis também pode ocorrer, apesar de ser raro.

"Os recursos para vacinação são limitados, principalmente em países como nosso ou mais pobres. Então, a proposta aqui no Brasil e como em todo o mundo é vacinar primeiro as meninas e adolescentes. Depois ampliar um pouco a faixa para as mulheres e incluir os homens", explica. Este ano a Austrália começou a vacinar os meninos. A ideia está sendo discutida também no Canadá e em alguns estados americanos.

A vacina é cara, mas vale o esforço

É fato que o número de pessoas que desenvolvem câncer por conta do vírus HPV é pequeno. Além disso, quando a atividade sexual já foi iniciada a eficácia da vacina é menor. Mas nem por isso a prevenção deve perder seu valor.

"Ao tomar a vacina o adulto se previne das próximas infecções e evita novas doenças. A imunidade natural da pessoa não a impede de ser infectada e de apresentar a mesma doença mais de uma vez. Com a vacina evita-se essa recidiva também", esclarece Dra. Luisa. "Isso é muito comum em mulheres que desenvolvem doenças no colo do útero antes do câncer, o que chamamos de neoplasia intraepitelial cervical (ou NIC). Muitas dessas mazelas, depois de tratadas, reaparecem."

A vacina tem ainda o objetivo de reduz o aparecimento de lesões precursoras do câncer. Por exemplo. O HPV causa verruga genital em 5% dos infectados ou em uma em cada 10 pessoas, dependendo do grupo de risco. São dois milhões de novos casos por ano entre jovens e casais.

A médica reflete: "Veremos um número menor de pessoas com câncer, mas por conta da baixa estatística a gente vai deixa de proteger as pessoas? Se o papanicolau fosse suficiente não teríamos esse número grande de casos. No Brasil menos de 1/3 das mulheres fazem o exame regularmente e nas regiões remotas nem fazem. As campanhas a favor do papanicolau não estão funcionando. Não somos a Finlândia, onde 95% das mulheres fazem esse exame regularmente. O problema é que tem mulher que só vai ao médico quando o quadro já está avançado."

E completa: "A Austrália não apresenta mais casos de verruga genital há cinco anos. Está publicado! É a mesma vacina que o Brasil vai adotar. Dados sobre a diminuição do câncer nós só saberemos daqui a 10, 15 anos."

A vacina custa entre R$ 300 e R$ 500 a dose. A coordenadora do Instituto do HPV informou que o governo aprovou uma norma da ANVISA de tabelar a vacina em US$ 120 dólares (pouco mais de R$ 240), mas as clínicas acrescentam a esse valor seus serviços como algodão e o uso das instalações. Então o melhor a fazer é pesquisar bem antes de tomar a vacina.

Métodos paliativos de prevenção

O HPV se pega por meio de contato íntimo. Para minimizar os riscos, a mulher deve ter cuidado ao escolher os parceiros e a quantidade deles e fazer o papanicolau. Também não deve deixar de lado o uso do preservativo. Porém, vale ressaltar que ele não protege 100%, uma vez que o vírus pode estar no saco escrotal, nos pelos pubianos, entre as coxas, nas mãos, na cutícula, embaixo da unha e na boca. Para os homens não há testes de prevenção. A mulher pode levar o HPV para eles, por isso o importante é se vacinar.


"É um momento especial no nosso país. Vamos observar a queda das doenças que afetam homens e mulheres, combater inicialmente uma verruga e depois os cânceres que matam, principalmente o público feminino", comemora Dra. Luisa. "Nesse momento educação e informação adequadas sobre essa doenças são fundamentais, até para se ter uma boa adesão da população. É necessário que se divulgue a importância de se vacinar contra o HPV", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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