Projeto mapeia brincadeiras infantis pelo Brasil

Brincadeiras de todos os cantos do país

Foto: Divulgação

Muita gente acredita que em meio à era digital todas as crianças abandonaram as brincadeiras antigas para se divertirem com videogames, computadores e celulares. No entanto, em diversas regiões do país estas atividades estão mais vivas do que nunca.

Para mapear essas brincadeiras que passam de uma geração para outra, a educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks desenvolveram o projeto Territórios do Brincar e percorreram os cinco cantos do Brasil. "Esse projeto é uma sequência de outros trabalhos que vínhamos realizando. Nós estamos registrando a infância brasileira há alguns anos e quisemos nos aprofundar", conta Renata.

Desde 2000, Renata e David desenvolvem diversos projetos juntos, entre eles o BIRA - Brincadeiras Infantis da Região Amazônica. Ao todo, a dupla percorreu 16 comunidades indígenas e ribeirinhas dos Estados do Amapá, Pará, Amazonas, Roraima e Acre. E, a partir das histórias, produziram diversos filmes de curta-metragem premiados em festivais de cinema e o livro "Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil".

Com o novo projeto os dois já visitaram comunidades carentes, quilombolas, indígenas entre outras. "Nosso primeiro destino foi o Espírito Santo, onde visitamos uma comunidade de pomeranos (etnia descendente de eslavos e germânicos). As crianças falam a língua pomerana melhor do que o português. Aliás, eles só aprendem o idioma quando entram na escola por volta dos três ou quatro anos", relata a educadora.

A iniciativa é apoiada pelo Instituto Alana, ONG que desenvolve projetos voltados à infância. "Visitamos também a comunidade de Acupe, subdistrito de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Nosso próximo destino será a aldeia indígena Xingu, localizada no Mato Grosso. Ficaremos na região por um mês", conta Renata. "De lá, vamos para o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais e depois para o Ceará, Maranhão e Rio Grande do Sul", completa.

Em cada região, o casal fica entre dois e três meses para conseguir mapear todas as brincadeiras. "Há uma diversidade de regiões no Brasil. Apesar de já termos experiências anteriores, nesse projeto incluímos escolas. Nós levantamos história com professores para saber se há um diálogo entre a cultura e a educação", diz Meirelles.

Ela relata que já encontrou desde as brincadeiras mais comuns, como pipa, carrinho e boneca, até aquelas nas quais as crianças improvisam os brinquedos. No porto de Acupe, por exemplo, um garotinho chamado Felipe brincava com um barquinho feito com chinela de borracha, velas de saco plástico e leme de garrafa amassada. Na mesma região um grupo de crianças formou uma pista para brincar com tampinhas de garrafas como se fossem bolinhas de gude.

Já na cidade de Santa Maria de Jetibá a tradicional Festa Pomerana é que traz a alegria de crianças e gente crescidinha. "A cidade enfeita-se inteira e organiza uma programação de músicas e danças tradicionais pomeranas intercaladas com o que há disponível no mercado cultural brasileiro de forró, sertanejo, axé e samba", descreve Renata.

Para ela, existe muita diferença no interesse por brincadeiras entre crianças que moram em grandes metrópoles e as de regiões mais carentes e afastadas. "Essas crianças criam seus próprios brinquedos. Além disso, não há uma relação de consumo dos mesmos, mas sim de diversão. São pouquíssimos exemplares. Assim, o nosso desafio é mostrar como isso ocorre com vigor em todo Brasil, inclusive metrópoles", afirma.

Ao término da expedição, o casal pretende transformar as viagens em um longa-metragem, um livro e uma série de TV.

Por Stefane Braga (MBPress)

Comente