Progressão continuada: prós e contras

Boletim e progressão continuada prós e contras

Foto: Rob Lewine/Tetra Images/Corbis

A partir do momento em que a criança entra na escola conta com a ajuda dos pais e dos professores para seguir adiante no processo de aprendizado. Enquanto na sala de aula ela é abastecida com diferentes conteúdos, em casa recebe a supervisão dos pais ou responsáveis para fazer adequadamente as tarefas escolares e revisar os textos dados em aula.

Com o tempo, não só o jeito de ensinar, mas também a avaliação feita por pais e professores sofreu uma série de modificações. E para Maria Edna Scorcia, diretora pedagógica do Colégio Joana D´Arc, algumas dessas mudanças devem ser comemoradas.

"No passado, o aluno era punido por não assimilar o conteúdo, muitas vezes, fisicamente. Com o passar do tempo, novos paradigmas surgiram e a avaliação passou para o patamar de diagnóstico das ações, procedimentos, esforços e consciência do educando", defende.

Maria Edna Scorcia comentou algumas modificações no processo de avaliação escolar. Confira:

Boletim virtual

Com o aparecimento das novas tecnologias, o boletim na internet veio para facilitar a vida das famílias que possuem tempo mais escasso. Porém, o contato pessoal dos professores com os pais para discutir o aproveitamento do aluno ainda se faz necessário para o bom andamento do aprendizado. Na época em que o boletim era em papel e entregue nas mãos dos alunos, estes o escondiam no fundo da mochila, caso tivessem recebido uma nota muito baixa. "Ser aluno é uma condição e, mesmo na internet, ele consegue ludibriar os pais, trocando senhas, instalando plug in etc.", comenta Maria Edna de maneira bem-humorada.

Progressão continuada

O método é aplicado apenas nos primeiros anos do Ensino Fundamental I e nas séries terminais de cada nível. "Na minha prática, quando diagnostico uma criança que não terá sucesso na série seguinte e ainda necessitará de um pouco mais de tempo para amadurecer eu proponho a retenção, o que na maioria das vezes é bem aceita pelos pais", conta a diretora. E conclui: "A questão da progressão continuada e automática foi proposta por questões políticas e deve ser mais bem esclarecida em outra oportunidade. Sem dúvida foi o início do fim da educação no Brasil."

Reprovação

Maria Edna lembra que, antigamente, repetir de ano era definido pelos pais e professores como falta de compromisso e dedicação do aluno, o que na maioria das vezes era verdade. "Hoje é visto como um absurdo reprovar o aluno. A culpa é sempre do professor, da escola, da dislexia, da TDAH, dos pais que se separaram... mas nunca do aluno, descompromissado, indolente e sem responsabilidade. Algo há que ser feito brevemente, porque senão a educação deve se extinta do país em breve", alerta.


Outra mudança feita no processo de aprendizagem é segurar o aluno na escola por mais horas para esclarecer dúvidas e melhorar seu desempenho dentro da sala de aula. Esse procedimento é chamado de reforço escolar nas escolas estaduais e de apoio pedagógico nas escolas da prefeitura. Nas escolas do Estado, a criança fica até mais tarde. E nas da prefeitura o aluno faz as aulas pela manhã, se estuda à tarde, ou à tarde, se estuda de manhã.

O professor pode indicar o aluno para o reforço, caso haja vaga, ou os próprios pais podem pedir para a escola inserir seus filhos no grupo. "Num mundo em constante mudança, a avaliação vai além de medir, dialogar e diagnosticar. Inclui também o ato amoroso no processo de ensino e aprendizagem", finaliza a diretora pedagógica.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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