Princesinhas cor de rosa

Princesinhas cor de rosa

É bem verdade muitas mães transferem para as filhas seus desejos e vontades. Ai, até que a pequena cresça e tome suas próprias decisões, tudo é reflexo daquilo que a mãe sonha, deseja e projeta. Prova disso é a infinidade de roupas de criança, por exemplo, que mais parece ter saído de um catálogo de moda feminino. Tudo para criar uma miniatura, uma princesinha.

Quando as mães têm aquela queda pelo mundo perfeito, cor-de-rosa, bingo: a chance de a filha também ter é enorme. Isso porque a menina aprende com aquilo que vê dentro de casa. “Eu compro tudo rosa e roxo para a Mariana. E acho que ela gosta. Eu não quero que ela ande por aí parecendo um menino”, diz Kristiana. A filha parece gostar, mas não esconde a vontade de se vestir mais livremente, como algumas das amiguinhas, até com calças camufladas e camisetas. “Ela pode até querer. Mas se eu comprar uma dessas calças, terá que ser rosa”, diz a mãe.

Outra situação é quando a mãe (e a sociedade?) estimula que a filha seja como a princesinha dos filmes ou bonecas. Como resultado, ela obviamente vai criar uma relação de afeto com aquelas imagens. Difícil então vai ser provar para ela que nem todo mundo pode ser Cinderela ou Branca de Neve. Daí o perigo da falsa impressão da realidade e o cuidado com as frustrações.

As princesas da Disney, por exemplo, inspiram gerações inteiras. Que atire a primeira “pedra rosa” quem nunca quis se vestir como elas, ter as paredes do quarto de estrelinhas ou encontrar o príncipe encantado. Tudo culpa do romantismo e da vaidade, características femininas marcantes. Mas é preciso lembrar que a modernidade invadiu até o mundo encantado da Disney. Se a Bela Adormecida esperava pelo seu final feliz deitadinha, Mulan é uma das novas princesas que arregaçou as mangas e foi à luta. Essa mudança no perfil das heroínas também influencia as princesinhas dentro de casa.

Mesmo com a modernidade tomando conta das decisões femininas (e dos desenhos animados), o desejo de um mundo perfeito continua dentro de muitas delas. “A mulher se emancipou, mas não deixou de ser mulher”, diz a psicóloga Marly Eleutério Vaz. Segundo ela, o príncipe de antigamente, por exemplo, agora é o companheiro que represente um amor sólido, sem fantasia - mas ainda assim idealizado. E conforme observa Marly, os homens também têm esse lado ‘princesa’ desenvolvido. “Alguns são muito mais vaidosos e românticos do que qualquer mulher”, aponta.


Para Marly, ser romântica ou vaidosa não é pecado. “Desde sempre os seres humanos são carinhosos, românticos e tendem a ser vaidosos para então ser admirado pela sociedade”, finaliza. Essa necessidade de admiração muito explica o efeito princesa. Não há que não se encante por uma delas. Como mãe, estimule a fantasia infantil, mas não esqueça de valorizar para as suas meninas sonhadoras as heroínas mais próximas da nossa realidade! Afinal, o mundo não é só cor de rosa e, na fase adulta, mesmo beijando “os sapos”, não conseguimos transformá-los em príncipes!

Por Sabrina Passos (MBPress)

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