Primeira escola jovem LGBT do país

Primeira escola Jovem LGBT do país

Foto/ Reprodução do site Escola Jovem LGBT

A Escola Jovem LGBT de Campinas funciona no bairro Nova Europa e é a primeira do gênero no país. Com 30 alunos, a primeira escola gay do Brasil desenvolve cursos livres voltados aos jovens, entre eles: violão e teclado, criação de revistas, teatro, dança, espanhol e sociologia da homossexualidade. Os cursos são gratuitos e os alunos ainda concorrem a uma bolsa de estudos mensal .

O diretor da escola, o jornalista Deco Ribeiro, iniciou o amadurecimento da idéia há dez anos, e afirma no site que "o objetivo desse espaço, além de permitir que o jovem expresse sua sexualidade sem sofrer preconceito, é também oferecer ferramentas para que essa expressão tenha exatamente a sua cara."

A Escola Jovem LGBT é um Ponto de Cultura do Programa Cultura Viva, financiado pelo Ministério da Cultura. O bairro residencial onde está localizada é pacato e a escola quase nem é percebida. Não se trata de uma escola regular, que ensina ciências, matemática e língua portuguesa, mas é um local onde os jovens tem aulas de música, teatro e de produção de revistas voltadas para o universo gay. Muitos dos jovens que frequentam as aulas abandonaram o ensino regular por conta do preconceito e na escola tem a chance de voltar a gostar dos estudos, e são incentivados para tanto.

Tudo começou com uma lista de emails que eram trocados para tirar dúvidas, compartilhar idéias e frustrações da comunidade LGBT. A lista de emails chegou a reunir quatro mil participantes e a partir daí o jornalista criou um site para agregar as principais dúvidas e questionamentos dos jovens, o E-Jovem. este foi o embrião que levaria a uma ONG, fundada em 2004, que tinha como objetivo combater a homofobia.

Mas foi em 2009 que o projeto de Deco foi vencedor de um edital do Ministério da Cultura com a proposta de uma escola de artes voltada para jovens LGBT. Deco adaptou a casa em que vivia transformando-a em uma escola de artes, mas o espaço ainda parece improvisado. No pequeno pátio carteiras e espelhos nas paredes pintadas de rosa e branco, um banner e a clássica bandeira arco-íris do movimento são os únicos sinais de militância LGBT. Três computadores e um monitor formam a sala de informática.


Para Deco é importante que todos ali sejam como realmente são e apesar do foco no mundo LGBT, héteros também são bem-vindos na escola. O clima é de descontração. Porém, muitos dos alunos têm problemas de aceitação em suas famílias. O diretor da escola lembra que o movimento LGBT passa por um período de transição, onde um primeiro momento, marcado pela busca da visibilidade e aceitação, dá lugar a um segundo, a sociedade saber o que os gays têm a dizer. Mas o aumento da visibilidade também traz reações conservadoras, ou seja, no mesmo ano em que aconteceu a aprovação da união estável entre pessoas do mesmo sexo, o triste aumento de assassinatos de homossexuais no Brasil caminha para um recorde.

Por Catharina Apolinário

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