Prazer pelo aprender pode ser estimulado

Prazer pelo aprender pode ser estimulado

Estudar nem sempre é tão complicado, mas pegar o gosto pelo estudo é um desafio constante que os pais enfrentam com seus filhotes. Não é sempre que uma criança tem o gosto pela leitura e pelo aprendizado, mas existem formas para que elas aprendam a gostar.

"Tudo começa pelo interesse. O começo é na escola, com toda a infra-estrutura que ela oferece, acompanhando a necessidade de cada aluno. Em casa, os pais ficam perdidos, não sabem como fazer para ajudar. Então, podem começar pelo exemplo", indica Daniella Freixo de Faria, terapeuta infantil de São Paulo.

A profissional afirma que aquela velha história de que as crianças aprendem copiando os pais é super válida. As crianças estão naquela fase que a terapeuta chama de "esponjinha", ou seja, tudo o que elas vêem provavelmente irão repetir. Isso significa que pais que mantenham um hábito de leitura regular, ou que incentivem isso, terão um sucesso maior na hora de dizer ao filho o quanto é gostoso aprender.

"A criança vai percebendo quanto há de diversidade de informação e cria a base cultural. Ver pais lendo jornal, ir ao museu, vendo animais, ir a parque, tipos de planta, como se cuida e vai aprendendo. Quando liga a luz que o efeito ‘esponjinha’ esta acontecendo, tudo é informação... música, peças de teatro", exemplifica.

Claro que se o exemplo paternal não acontecer naturalmente - se os pais lerem apenas por ler, por exemplo, ou pior, nem lerem - não irá adiantar de nada. "Às vezes parece que não, mas a criança tem a percepção do que o pai está fazendo. Se estiver lendo, ela pergunta por que e o que é, e isso cria um vínculo", explica.

O importante é tentar transformar o momento de aprendizado em uma coisa gostosa de fazer e não parte de uma rotina neurótica do "todos os dias eu preciso ver a lição do meu filho". Uma boa dica é sentar para ler juntos algum livro que a criança goste ou aproveitar os gostos para fazer programas diferentes aos finais de semana, como assistir uma peça educativa ou mesmo visitar o planetário ou o aquário da cidade.

Na hora de fazer a lição de casa, lembre-se: não é trabalho dos pais corrigirem as lições de casa - isso é trabalho da professora - e muito menos fazê-las. O objetivo é mostrar que você estará sempre por perto quando o filho tiver alguma dúvida ou dificuldades.

"Os pais podem ajudar, mas tem que ter cuidado. Se os pais acostumarem a corrigir as lições, as crianças não terão a oportunidade de corrigir na escola e a professora não terá como acompanhar o desenvolvimento da criança, saber o que ela ta aprendendo", diz Daniella. "Se os pais entrarem com a correção a criança perde a referência, fica acomodada, se habitua a ter a correção no lar. Isso tira do caminho um pedaço importante para o aprendizado das crianças", completa.

Além disso, os pais podem prestar atenção em outros detalhes mais importantes, como quanto tempo as crianças dedicaram para fazer aquele trabalho da escola, o quanto ela se empenhou para desenvolvê-lo. E, nessas horas, elogios são sempre bem-vindos. "Os pais devem incentivar pelo caminho do capricho e não verificar se a lição está certa ou se está errada. Devem levar em conta o quanto o pequeno investiu nela, se fez com pressa, se houve dedicação, se fez o melhor que podia", sugere a terapeuta.


O essencial estar perto e mostrar interesse pelo que o pequeno está fazendo. Assim, o "estar junto vira algo produtivo, prazeroso", finaliza Daniella.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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