Porque as meninas gostam de rosa?

Porque as meninas gostam de rosa

Meninas gostam de rosa. Mas por quê? A rede de TV BBC produziu um documentário para tentar explicar essa preferência. Ouviu cientistas, pais e um profissional ligado à indústria de brinquedos, mas mesmo depois de todas essas opiniões não há um consenso. É que estudos para determinar se o gosto por certas cores seria cultural ou genético apresentaram resultados contraditórios.

Uma das explicações seria a partir de um estudo que mostrou uma tendência universal de preferência pelo azul e de rejeição de verdes amarelados. O mesmo estudo mostrou reações positivas a componentes azul-amarelos e mulheres também reagiram positivamente aos vermelhos-verdes. Partindo desses resultados, a neurocientista Anya Hurlbert da Newcastle Universityvai acredita ter encontrado a explicação para a preferência feminina pelo rosa: "Quando você combina essas duas tendências, obtém o rosa", ela disse.

"Já Steve Palmer, psicólogo da Stanford University, na Califórnia, Estados Unidos, fez vários estudos sobre o assunto e concluiu que as cores de que gostamos dependem das coisas de que gostamos. "A base para nossas preferências são as interações emocionais com objetos à nossa volta", disse Palmer.

As pesquisas de Palmer parecem confirmar resultados de estudos feitos pela psicóloga Melissa Hines, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha. Hines e sua equipe estão tem um trabalho em andamento, mas resultados preliminares sugerem que a preferência não seria resultado da influência dos pais e, sim, de indústrias que vendem produtos para crianças.

Hines descreveu o processo: "Meninas têm afinidade em relação a certos brinquedos. Elas preferem bonecas, por exemplo, enquanto meninos preferem carros, caminhões e armas. Os brinquedos com que meninos e meninas têm afinidade são oferecidos em cores diferentes. Portanto, como elas gostam de brincar com aqueles brinquedos, começam a gostar daquelas cores."

Ela admite que os pais exercem algum papel nesse processo, já que são eles que compram os brinquedos. "Os pais compram os brinquedos, mas nós achamos que são os colegas quem exercem maior pressão. A influência dos colegas nessa idade é muito grande, maior do que a dos pais."

Segundo Hines, os pais tendem a querer o que os filhos querem: se a filha quer um brinquedo rosa, há grandes chances de que seus pais comprem o brinquedo daquela cor. "Isto se torna um círculo vicioso", disse Hines. "A criança quer uma coisa rosa, os pais compram a coisa rosa, a criança aprende a gostar da coisa rosa."

Marketing

Porém, pais e profissionais estão preocupados com a forma como a indústria vem usando a cor rosa para manipular o comportamento das crianças, influenciando suas escolhas por alguns tipos de brinquedos em detrimento de outros.

O curioso é que registros históricos mostram que, no início do século XX, rosa era cor para meninos. Segundo o consultor da indústria de brinquedos Richard Gottlieb, a cor passou a ser considerada "feminina" nos anos 1950. Por isso ele vê com preocupação a forma como a indústria vem usando o rosa para direcionar as meninas a certos tipos de brinquedos.

O consultor fez um estudo com 1.500 mães e suas filhas. Ele perguntou a elas com que tipo de brinquedos brincavam quando crianças. "Percebemos que houve uma queda no número de meninas brincando com brinquedos de montar, carros, caminhões e brinquedos científicos", disse Gottlieb. "São brinquedos que, na verdade, deveriam ser considerados neutros."


Ou seja, as meninas estão sendo incentivadas a ficar longe dos brinquedos neutros - que ajudam a criança a desenvolver a inteligência analítica e espacial - e a cor rosa é usada para sinalizar que brinquedos elas devem escolher. E o uso do rosa como instrumento de marketing já não se restringe ao público infantil. "Há exemplos hoje de produtos tipicamente associados a adultos, que não são específicos de um sexo em particular, mas que estão sendo oferecidos na cor rosa", disse à BBC. Rosa é agora uma parte integral da estratégia de venda dos comerciantes, de acordo com ele.

Por Larissa Alvarez

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