Pornografia: como conversar com seu filho?

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A pornografia existe e está cada vez mais acessível devido às facilidades da internet. Crianças e adolescentes, curiosos por natureza, acabam, inevitavelmente tendo acesso a imagens que nem sempre são consideradas ideais pelos pais, mas, nesta hora, como lidar com a situação?

Como em todos os outros temas relacionados à sexualidade, o diálogo é o melhor caminho para orientar os filhos a como lidar com a pornografia e não existe uma idade ideal para conversar sobre o assunto. Normalmente, ocorre após a criança ou adolescente ter acesso a algum conteúdo pornográfico, seja em revistas de primos ou amigos mais velhos ou mesmo na internet, que é repleta desse material, mas o ideal é que ocorra antes, de forma natural.

Uma coisa é certa, conforme disse a diretora executiva da Answer, organização de educação sexual com sede na Universidade Rutgers, Elizabeth Schroeder: "Seu filho verá pornografia em algum momento. Isso é inevitável".

Instalar filtros de conteúdo na programação da TV paga ou nos computadores pode ser uma boa pedida para evitar o contato, principalmente se as crianças forem bem pequenas e sequer tiverem noção do que é sexo. Porém, com os maiores, o ideal mesmo é explicar o que é a pornografia e como pode ser apreciada, se esse for o caso.

Mas como fazer isso? Primeiro é bom salientar que sexo é algo bom, feito com prazer e carinho, que é essencial para uma relação a dois, para não criar uma barreira como se fosse algo ruim ou pecaminoso. E que a pornografia é sim usada como estímulo ou como mais uma ferramenta de prazer.

Uma coisa extremamente importante é deixar claro para o filho que sexo é algo íntimo, que não precisa ser explicitado para todos, muito menos para estranhos, de forma a preservar a segurança e a integridade das pessoas. Também vale esclarecer que existe todo tipo de pornografia e que coisas bizarras são muito comuns na internet, não na rotina sexual comum.

Outra atitude importante é ensinar os filhos a serem consumidores responsáveis e discretos, apagando históricos de navegação, evitando a instalação de programas que liberem conteúdo pornográfico, por exemplo, quando outra pessoa tiver acesso ao computador.

Os pais não devem reagir com repulsa ou vergonha, devem tentar manter a naturalidade. "Se nós reagirmos bruscamente e ficarmos loucos com isso, estaremos transmitindo uma mensagem muito dura", comentou Elizabeth, complementando que, essa atitude pode fazer com que o filho entenda que não deve fazer perguntas ou conversar com os pais sobre o assunto, por medo de serem julgados ou punidos, como se mexessem num vespeiro.

"Isso tudo é muito mais fácil quando não é o assunto da primeira conversa sobre sexo com os pais, mas a décima, ou a vigésima", afirma o terapeuta familiar e sexual de Palo Alto, na Califórnia, Marty Klein, que encoraja os pais a serem francos e diretos nas conversas com seus filhos.

Também é muito importante orientar quanto à divulgação de fotos pessoais ou conteúdos explícitos de outras pessoas, principalmente de crianças, já que isso é crime e pode acarretar sérias consequências. Ensinar os filhos a também protegerem os irmãos ou parentes menores do acesso a pornografia, explicando sobre a ausência de maturidade para entender o conteúdo pornográfico.

E que, sempre, devem conversar abertamente com os pais quando desconfiarem de que alguém esteja tentando aliciar sexualmente ele ou outros menores de idade. Esta é uma forma de criar cidadãos responsáveis e vigilantes.


Outro fator importante e que merece atenção é o controle do tempo que o filho fica na internet ou vendo filmes pornôs em seu quarto, enclausurado, sem ter outros interesses. O vício em pornografia é algo muito comum, então é preciso deixar claro para o adolescente que a descoberta desse novo universo não restringe a necessidade de continuar estudando, se divertindo com amigos, namorando ou mantendo os contatos sociais de antes.

Por Carmem Sanches