Por que as crianças mentem?

Por que as crianças mentem

Cotidianamente se lida com o impasse de precisar agradar aos outros, sem deixar de fazer o que se quer. Se isso representa uma dificuldade para os adultos, imagina para uma criança? Elas estão em processo de formação da personalidade, uma etapa cheia de desafios que demanda atenção dos responsáveis. Nesse período, a mentira surge como uma alternativa diplomática - mas se os pais não tomam as medidas corretas, ela pode acarretar em graves problemas no futuro.

No entanto, definir essas tais providências também não é tarefa fácil, apesar de imprescindível. A terapeuta infantil Daniella de Freixo Faria acredita que se os adultos conseguirem ajudar a criança a lidar com esse conflito, a mentira pode ter um lado saudável: o aprendizado. "A criança que não é ensinada, fica acuada e mente cada vez mais O mais importante é descobrir a necessidade por trás da mentira e ajudar a criança a colocar a mesma necessidade de outra forma. Ela de fato aprende que mentir não é bom, que dá um trabalho danado e gera sentimentos ruins no outro e em si mesma", afirma, alegando que não existem técnicas para descobrir a mentira.

Segundo Daniela, a criança toma consciência de que está mentindo depois que percebe o quanto as pessoas ficam chateadas quando descobrem a verdade. Para construir uma relação verdadeira, Daniela ensina que é necessário ouvir: "A criança que é ouvida e acolhida em sua necessidade, mesmo que não seja atendida, não precisa mentir, pois pode dizer o que pensa, o que precisa, o que quer".

Daniela explica que os pais podem, indiretamente, incentivar os filhos a mentir. Por exemplo, ao telefone, quando mandam os pequenos dizerem que alguém não está em casa. Ela defende que conversar é sempre a melhor opção: "Sou absolutamente contra a ideia de punição. Se um dia nosso filho disser que não está com vontade de almoçar, vamos fazê-lo comer de qualquer maneira. Com nossa falta de ‘escuta’ o levamos a mentir. Seria melhor dizer: Filho, tudo bem, mas daqui a duas horas você precisará se alimentar. Vamos combinar assim? Obviamente esta conversa não deve acontecer todos os dias, mas é possível que às vezes, assim como nós, a criança esteja sem apetite".


Cada mãe tem suas crenças, seu modo de educar o filho, porém é importante perceber se a ânsia de criar um cidadão correto e infalível não está sufocando a criança com tantas regras que nunca podem ser quebradas. "Nossa participação é fundamental, nada esta isolado, tudo se comunica. Se estiver mentindo, pare para perceber como anda a sua escuta. Isso fará toda a diferença", conclui.

Por Roberta Maria Carlos (MBPress)

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