Pintar os cabelos das crianças: quais são os riscos?

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Criança pode pintar os cabelos

Kingston Rossdale Foto/Reprodução X17

A vaidade tomou conta das crianças. A cada dia, os salões de cabeleireiro estão mais cheios de crianças que desejam cuidar da aparência como se fossem gente grande e querem pintar os cabelos. Entretanto, qual é o risco dessa prática?

No mundo das celebridades não são os famosos que chamam a atenção devido à ousadia com a moda, mas sim os filhos deles. Um exemplo de ícone fashion é Kingston, filho mais velho da cantora Gwen Stefani. Além de possuir um estilo único com as roupas, o pequeno de apenas seis anos gosta de inovar no corte e na cor dos cabelos. Prova disso é que ele já apareceu usando moicano azul e agora circula com as madeixas bem loirinhas.

A dúvida que não quer calar é: uma criança podepintar os cabelos? Para responder a essa e outras questões, consultamos o médico tricologista Ademir Junior. De acordo com o especialista não é recomendável fazer o procedimento em crianças, porque muitas delas apresentam os cabelos mais finos, frágeis e suscetíveis aos danos do que os dos adultos. "A pele da criança também é mais fácil de sensibilizar aos agentes químicos das tinturas", diz ele.

Além de danos aos fios a tintura pode fazer mal para a saúde da criança. "Corre o risco de causar sensibilidade, queimaduras químicas, alergias com o surgimento de dor, caspa, feridas e crostas no couro cabeludo", descreve o tricologista. "Se provocar danos no couro cabeludo ou quebra dos fios, pode prejudicar o crescimento dos cabelos", acrescenta.

Dr. Ademir ressalta que, pela legislação, qualquer situação de dano causado por um agente químico de alisamento ou coloração é de total responsabilidade dos pais que permitiram o procedimento. E se o médico que atender à criança com este tipo de dano der queixa o responsável também terá que responder legalmente por ter submetido o filho a procedimento de risco.

O especialista ainda diz que antes de os pequenos pintarem os cabelos ou usar qualquer outra química deve ser feito um teste. "O ideal é não fazer química em crianças de nenhuma idade, apenas a partir da adolescência", orienta. "Acredito que uma sociedade que incentiva a criança a não se aceitar desde cedo é uma sociedade doente", afirma ele sobre a mudança de aparência precoce.

Para o especialista, cabe aos pais fortalecer a autoestima e a autoimagem da criança como ela é, em vez de estimular mudanças estéticas. "Se fizerem isto até a adolescência, certamente estarão dando bases para uma pessoa com personalidade segura bem resolvida. Se quando adulta resolver se submeter a esses procedimentos, aí é outra questão", opina Dr. Ademir.

Independente de ser uma vontade da criança, mudar a aparência do pequeno só ocorre com a permissão dos pais. "Não conheço criança que vá escondida ao salão pedir para alisar ou colorir os cabelos. Também vejo um pouco de responsabilidade do profissional que aceita este tipo de situação em seu ambiente de trabalho", diz ele. "Como profissional deveria orientar e desestimular estes procedimentos em crianças", acrescenta.


Segundo ele, muitas mães que vão ao salão estimulam os filhos a fazerem estes procedimentos. "Entendo que elas desejam que a criança tenha o cabelo do jeito que sempre desejaram, mas pensar assim é também dizer à filha: ‘não aceito como você é, então mude para que você possa ficar do jeito que a mamãe/papai gostaria que fosse’", reflete o médico tricologista.

Por Stefane Braga (MBPress)

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