Piercing, tatuagem, cabelo colorido - proibir ou não?

Piercing tatuagem cabelo colorido

No dia 13 de fevereiro uma adolescente foi impedida de assistir aula por ter pintado o cabelo de azul. A partir daí, uma discussão foi criada: até que ponto a proibição é compreendida pelos adolescentes? Como os pais devem lidar com a rebeldia típica desta fase?

A psicóloga infantil comportamental e orientadora educacional, Dra Paula Pessoa de Carvalho, acredita que uma atitude drástica pode abater o adolescente. "Estamos numa sociedade que fala sobre respeito à adversidade e não sobre preconceito", afirma a Dra Paula.

Quando o filho chega à adolescência ele passa por mudanças e as tensões se intensificam, já que para mostrar a independência, os jovens querem fazer uma tatuagem, colocar um piercing, cortar e pintar o cabelo de forma ‘moderna’, entre outras ações. Nesse momento os pais devem agir.

"Eles devem estar vigilantes ao comportamento de seus filhos e proibir nunca é a melhor solução. É importante conversar e fazê-los perceberem que algumas coisas são possíveis e outras não", afirma a psicopedagoga Dra Lívia Cristina Bulgarelli.

Apenas repreender o filho não é suficiente. É necessário conversar com os adolescentes. O diálogo é a base de todo bom relacionamento. "Os pais devem procurar entender as razões pelas quais o adolescente passa. Recriminar é apenas uma forma de tentar eliminar um sintoma, mas para todo sintoma existe uma causa. E é nela que precisamos nos ater", afirma o psicólogo e escritor Dr. Odair José Comin.

"A aceitação de um piercing é diferente de tatuagens pelo corpo todo. Se houver um bom relacionamento, com a colocação de limites e respeito à autoridade dos pais desde cedo, o adolescente pode até ficar frustrado e dar margem a conflitos, porém o desfecho provavelmente vai ser bom", afirma a psicoterapeuta e escritora Dra Andreia Calçada.

"A postura por vezes rígida é que irá estabelecer os limites necessários para que o adolescente amadureça forte e independente. Acaba por ser um jogo, no qual os pais irão segurar e soltar, ampliar e delimitar, tudo isso de forma equilibrada", comenta Dr. Odair.

É nessa hora que os pais devem ficar atentos, porque ser superprotetor não vai ajudar o filho em nada. "A superproteção é o mesmo que amputar o filho, é retirar-lhe o direito de ser, de existir. É como dizer: ‘filho, não viva, a mãe vive por você’", critica o psicólogo. Para vencer este mal disfarçado de bem, é necessário dar um passo atrás. "É preciso descer do pedestal da prepotência, de subestimar a capacidade do filho, de achar que ele não conseguirá sem sua ajuda. Sim, ele consegue e certamente te deixará orgulhosa", afirma Dr. Odair.

A psicóloga Dra Andreia comenta que a autonomia e a independência devem ser trabalhadas desde cedo de forma gradual, pois tais características geram autoconfiança e autoestima elevada. "É importante que os filhos aprendam a lidar com a frustração e a raiva, pois a vida não facilita. Devem aprender a criar recursos para lidar com as dificuldades sabendo que tem com quem contar se fracassarem."


Nunca esqueça que você já foi adolescente e de como queria mudar o mundo. Compartilhar experiências estreita as relações e pode fazer com que seu filho confie mais em você. Parar para ouvir nunca é demais. Por mais absurdo que seja, pare, reflita e então mostre ao adolescente que na vida temos vários caminhos, oportunidades e escolhas. Ensine-o a enxergar as várias alternativas e ajude-o a optar ao que mais agrada a todos.

Por Flávia França (MBPress)

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