Papo de adultos ( criança aqui não mete)

Posso parecer antiquada, mas sou da geração em que criança não metia o nariz em conversas de adultos. Lembro bem das visitas que minha mãe recebia para tomar o cafezinho da tarde enquanto botavam as fofocas em dia. A primeira coisa que ela fazia era me tirar da sala mandava eu ir brincar no quintal, ir pro quarto ou tomar banho, só não me queria perto escutando as conversas. Até mesmo assuntos banais, se eu fizesse algum comentário, bastava somente um olhar de reprovação e eu já sabia que tinha metido o nariz ( ou a língua) onde eu não era chamada. Eu só podia me pronunciar quando me dirigiam a palavra.

Esta semana uma amiga veio me visitar trazendo seu filhinho de nove anos. O garoto é o capeta, sem exagero nenhum. Tive vontade de jogar aquele moleque pela janela. Eita menino mal educado! Se metia nas conversas, falava na cara da mãe que ela estava mentindo, enfiou a mão no meu aquário. E soltou um pum alto e fedorento pra fazer gracinha. A coitada da mãe, ficou passada de vergonha, mas não tinha um pingo de moral pro pestinha. O tempo todo constrangida me pedia desculpas, coitada, disse que ele era hiper ativo. Pra mim ele é mal educado, isso sim. Ah lá em casa!

Eu não quis questionar, dar a minha opinião por não querer magoá-la, mas pedi que da próxima vez que viesse, deixasse o anjinho em casa, pra gente ficar mais à vontade.

Ontem à noite, assistindo a novela das oito (ou das nove?), vi a cena da menininha metida na conversa de adultos e soltando veneno pela boca, querendo fazer fofoca. Criança é espontânea, eu sei, mas peraí...Cadê o olhar de reprovação da mãe? Onde está a educação dessa menina? Não seria liberdade demais deixar que as crianças participem das conversas de adultos, afinal ela não tem idade para entender porque as pessoas agem de determinada maneira. Não estou falando em reprimir, acho que toda criança precisa expressar suas idéias, questionar quando tem curiosidade, mas desrespeito não tem nada a ver com isso. E cabe aos pais separar isso, saber até que ponto estão dando liberdade demais, principalmente quando falam coisas que não devem na frente das crianças. Alguém já percebeu a forma como a mãe da menina ( esqueci o nome, mas é aquela que ta dando em cima do José Mayer)? Parecem mais duas crianças brigando.

“Ô menina vai brincar de boneca!”

Repito: posso parecer antiquada, mas pai é pai e mãe é mãe, não são amiguinhos. Ser amigo de um filho não é eliminar a condição de pais. No meu ponto de vista, digo, como mãe e sem nenhum conhecimento acadêmico de psicologia infantil, isso está errado. Somos mais que amigos somos Pais.

Me orgulho de ter criado meus filhos sempre respeitando os mais velhos, mesmo que estivessem certos, nunca discutissem com adultos, se eu entendesse que eles tinham razão, deixassem que eu tomasse as dores. E sempre chamassem de senhor ou senhora, não tinha esse negócio de tio ou tia ( isso é podre! Já vi marmanjo de trinta anos chamando um senhor um pouco mais velho que ele de tio), era ‘seu’ fulano e ‘dona’ cicrana.

Vivi minha educação com limites rígidos, até exagerado em alguns pontos. Sobre sexo, por exemplo, lá em casa era assunto proibido. Quando eu me danava, o cinto de papai corrigia minhas estripulias. Mas nunca bati nos meus filhos (a não ser uns puxões de orelhas e umas palmadinhas quando mereciam), sexo é um assunto conversado naturalmente durante o café da manhã e procuro na medida do possível enxergar do ponto de vista deles. Também já errei, muitas vezes fui dura quando não precisava e passei a mão na cabeça quando mereciam castigo.

Mas acertei passando para meus filhos a educação que meus pais me deram de sempre respeitar os mais velhos, principalmente quando tiverem conversando. Espero que na próxima geração, meus netos também sigam a mesma conduta.

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