Palpites de avó na educação dos filhos

Palpites de avó na educação dos filhos

Quem é mãe sabe como é difícil ter que lidar com palpites quando o assunto é a educação dos filhos. As amigas, as tias e até a babá, todo mundo tem algo a dizer, uma opinião pra dar. Mas o que fazer quando esta intromissão vem da avó da criança? Como fazer para dizer à sua mãe (ou pior, à sogra), que você sabe o que está fazendo?

A psicóloga Silvia Malamud ensina que a melhor maneira de dizer às avós da criança que você não quer interferências na educação é partir do princípio do respeito, antes de qualquer coisa. E, quando vir algo de invasivo ou distante da educação que queira dar aos filhos, tente evidenciar as desiguais condutas e, claro, as diferenças que existem do mundo atual para o mundo e a cultura em que as avós viveram. Fácil? Não, né...

É preciso lembrar sempre que os mais velhos têm sim mais experiência e, consequentemente, maior tranquilidade para lidar com as crianças, principalmente os pequenininhos. E mais, a ajuda extra (e de confiança) pode ser divina. Mas é supernecessário estabelecer limites, mostrar que os papéis mudaram - e que a mãe agora é avó.

E se já é difícil quando a avó em questão é a sua mãe, o que fazer quando se trata da amada sogra? "O ideal é que o pai fale! Se ele disser que não gosta, que não quer, preserva a relação da mãe com a esposa. Desde que ele concorde com o que a mulher diz, esse é o caminho mais adequado" ensina a terapeuta familiar Roberta Palermo.

Ela e Silvia concordam que se os pais tiverem uma postura firme, no que diz respeito às regras, não haverá problema se as avós paparicarem demais os netos, afinal não há nada melhor que mimo de avó. "É importante que avós sejam avós, ou seja, não tenham a responsabilidade de educar e sim de fazer coisas gostosas, que incluem comer um pedaço de bolo faltando cinco minutos para a hora do almoço," exemplifica Roberta.

Ao invés de travar uma batalha em torno da criação do baby, o melhor que pais e avós têm a fazer é unir forças em prol deste único objetivo. "É importante que os pais escutem o que seus pais e sogros têm a dizer, além de agradecer a ajuda e falar que pensará a respeito. Os pais devem escutar e, quem sabe, até seguir alguma ideia, afinal pode ser uma boa ajuda mesmo. Muitas vezes uma relação já desgastada faz com que os pais não escutem mais, perdendo algumas dicas preciosas" comenta Roberta.

Há casos específicos em que a convivência com os segundos pais são de extrema importância, como quando as crianças passam pelo trauma da separação dos pais. "Quando acontece uma ruptura como divórcio, as avós podem dar este importante suporte emocional de amparo e continuidade afetiva, até que o novo momento se estabilize", pondera Silvia. Ela lembra que muitas avós, sobretudo idosas, também precisam de atenção especial. Não se deve atribuir a elas a responsabilidade de educar as crianças, mesmo quando elas insistem em interferir!

O que é comum hoje, já que a família brasileira mudou, é todos morarem juntos, pai, mãe, filhos, avós, sogra. E, para que esta convivência não se torne um transtorno familiar, alguns cuidados devem ser tomados. "Para resolver essa bagunça, nada melhor que o diálogo", sugere Roberta. "Quem manda são os pais e, por mais que não estejam sempre em casa, devem dizer como querem que se realizem as tarefas. Dessa maneira, há mais chances de organizar a casa".


As famílias não são iguais, portanto não há fórmula que defina melhor essa relação. O importante é não deixar de conversar, dizer o que pensa. Se perceber que a mãe ou sogra está dominando os cuidados do filho ou diz que você não faz nada direito, abra o jogo sobre como se sente. Basta não se esquecer da delicadeza e do respeito, agradecer a ajuda e lembrar que, mesmo que erre, a responsabilidade pelas decisões com relação aos filhos agora é sua.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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