Pais opinam sobre adolescentes em manifestações contra a Copa

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Foto reprodução TV Globo

A última quinta-feira (12) não ficou marcada apenas pela abertura da Copa do Mundo 2014 e pelo Dia dos Namorados, mas também pela notícia dada pelos maiores jornais e portais do país sobre um pai que foi buscar seu filho, de 16 anos, em um protesto, no Tatuapé, em São Paulo. Diante do ocorrido, este pai teve a atitude correta? O que podem e não podem fazer estes garotos ainda menores de idade em manifestações?

Para Cristiane Souza, mãe de Marcos (16 anos) e Keyla (15 anos), a decisão daquele pai foi mais que certeira. E sobre as manifestações, ela garante que é assunto constante na família. "No lugar dele teria feito o mesmo. Não sou contra os movimentos, mas não sou a favor de adolescentes fazendo parte disso. Aqui em casa, sempre enfatizamos que lutar pelos direitos é, principalmente, algo para se fazer nas urnas. O Marcos irá votar pela primeira vez, então é lá que ele vai decidir e contribuir por um país melhor."

A polêmica entre pai e filho virou pauta entre as mães que saíram em defesa do lado paterno para esta questão de que adolescentes podem e/ou não podem participar de movimentos como este que o Brasil vem enfrentando. "Acho importante também mostrarem que estão infelizes com o país construído para eles, mas as ruas não só para os menores de idade, mas para qualquer pessoa, estão muito perigosas por causa daqueles que usam este momento para destruir a cidade e fazer verdadeiras guerras", completa Cristiane.

Cada vez mais por dentro do mundo político, os adolescentes passaram a entender e a ver de forma mais clara o país em que vivem e, a partir disso, nasce a revolta deles. Porém, diante de tanta insatisfação vem a ansiedade de se resolver tudo pra ontem. E é neste desejo interior que eles precisam pisar no freio e perceber as formas adequadas para se manifestarem.

"Jamais permitiria meus filhos nas ruas manifestando, mas apoiaria eles a mostrarem sua indignação através de uma ferramenta muito conhecida por eles: as redes sociais", finaliza Cristiane, que acredita que não há idade para fazer do Brasil um país melhor para se viver.

Caso Renan

Renan, de 16 anos, participava da manifestação de 12 de junho, em São Paulo, quando seu pai, inesperadamente, apareceu para buscá-lo. O diálogo, gravado por um cinegrafista da Rede Globo, mostrou a discussão entre eles. Enquanto o garoto insistia em seus direitos por se manifestar contra a Copa do Mundo, o pai pedia para o filho ir pra casa com ele. "Você vai ter o seu direito quando trabalhar e ganhar o seu dinheiro, tá? Eu sou seu pai, escuta o seu pai."

Com a camiseta no rosto, assim como outros integrantes do black blocks, Renan continuava discutindo com o pai. "Eu quero escola, eu quero saúde. Deixa eu protestar. Minha avó quase morreu num hospital público. Você acha certo isso? Pelo amor de Deus, deixa eu correr atrás. Tanta gente morrendo. Deixa eu fazer a minha parte, ajudar um pouco. Eu sei que eu tenho 16 anos. Eu não vou me machucar, relaxa."

A discussão só chegou ao fim quando o pai arrancou a camiseta do rosto do garoto, que acabou convencido em ir para casa. "Você não é criado para isso. Eu trabalho para te sustentar, não é para você esconder a cara. Eu pago a sua escola. Eu e sua mãe trabalhamos para te sustentar. Você não vai mudar o mundo. Meu filho, você tem 16 anos, não é a hora agora. Eu te amo, cara. Você é meu filho. Eu estou pedindo demais? Um passo de cada vez."

Por Kelly Jamal

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