Pais modernos

Pais Modernos

Na sociedade atual, o modelo tradicional de pai foi substituído por outro muito diferente. Os homens de hoje querem ter o prazer de cuidar e de conviver com seus filhos. No Brasil, um em cada quatro casamentos termina em divórcio. Mesmo assim, pode-se dizer que o amor e o casamento continuam em alta. Prova disso é a infinidade de divorciados que se casam novamente.

A forma tradicional de família, constituída por pai, mãe e filhos, ganhou novas combinações. Essas mudanças não são feitas apenas de sofrimento e desgaste emocional para os envolvidos. Ao contrário, elas podem passar mensagens positivas, tais como a confiança em reconstruir a vida quando algo dá errado. Tudo depende da postura dos adultos envolvidos: pai, mãe, padrasto e madrasta.

Nesse novo contexto de família, existe o pai que deseja a guarda dos filhos na hora da separação e também o padrasto que é um verdadeiro paizão. Os homens não querem mais ser apenas pais de fim de semana e fazem questão de participar de forma mais intensa das alegrias e dos problemas do dia-a-da dos seus filhos.

Segundo estatística do IBGE, aumentou o número de crianças que desejam morar com o pai após o divórcio. Há vários motivos para isso. Excluindo casos extremos, a explicação passa longe de ser falta de amor pela mãe. A razão pode ser simplesmente um vínculo maior com o pai, ou mesmo o desejo de experimentar um novo estilo de vida. Será que o homem está preparado para assumir esse papel? Quem já passou por isso garante que sim.

No início não é nada fácil para o pai e os filhos. Mas arregaçando as mangas e indo à luta, qualquer pai pode desempenhar bem esse papel. O homem moderno é obrigado a improvisar e aprender na prática. Quase sempre se descobre um ótimo pai.

Com uma postura diligente e carinhosa, o pai consegue estabelecer uma relação direta e imediata com os filhos, aproximando-se mais deles. Quanto mais dedicação, compreensão e bom senso, maior será o fortalecimento dos vínculos familiares.

Na infância a criança costuma pintar o pai com as cores e os poderes de super-herói. Na adolescência surgem as tensões. A admiração incondicional cede lugar ao confronto de idéias, de gostos e de objetivos. Numa fase seguinte, ao amadurecer e conquistar autonomia financeira, os filhos sentem falta da diligência do pai e passam a sentir saudade dele. Mais tarde, em algum momento, o filho também será pai.

Essas etapas determinam os laços que se estabelecem entre o pai e os filhos no decorrer da vida. Mostram que ser adulto ou criança, ser pai ou filho, é algo dinâmico, que faz com que uma parte da personalidade de um possa ser assimilada pelo outro. Isso demonstra a importância do relacionamento saudável entre pais e filhos: um aprende com o outro.

Para exercer bem a paternidade, o homem precisa ter solucionado os conflitos com o próprio pai, deve “servir-se do pai para prescindir dele”, segundo Jacques Lacan. A maior herança que um pai pode legar aos seus filhos são os valores transmitidos a partir de suas referências e de seu exemplo.

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Por Flávia Leão Fernandes

CRP 06/68043 - Psicóloga clínica

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