Pais inseguros, filhos imaturos

Pais inseguros filhos imaturos

Criar filhos está cada vez mais difícil. São responsabilidades, mais gastos e preocupações de toda ordem. Essas inseguranças, somadas ao trabalho desgastante e ausência de alguns pais a fim de sustentar a casa, podem atrapalhar e muito o relacionamento familiar.

"Uma das razões para a insegurança dos pais em relação à criação de seus filhos é o sentimento de culpa, pois tanto o homem quanto a mulher trabalham fora e quase nunca estão em casa", afirma Caio Feijó, mestre em psicologia da infância e da adolescência e especialista em psicologia clínica no atendimento de jovens.

Tal sentimento de culpa impede que os adultos coloquem limites, o que resulta em filhos que não conhecem o significado da palavra respeito, birrentos e desobedientes. "Quando há ausência de afeto, de reconhecimento, as crianças sentem e isso é demonstrado de inúmeras formas: carência, agressividade, dificuldade escolar, comportamentos inadequados", completa a terapeuta Daniella Freixo de Faria.

Outra possível causa de vermos tantas crianças e adolescentes sem a devida orientação por parte dos pais é certo trauma de criação destes, como aponta a terapeuta. "Hoje estamos realmente num momento difícil da educação. Estamos perdidos, ora querendo fazer diferente do que recebemos de nossos pais, e muitas vezes reféns dos nossos filhos".

Assim, os inseguros, "culpados e traumatizados" pais, deixam de ensinar valores morais e familiares aos seus pequenos. Em vez disso, tentam suprir a ausência com coisas materiais - e isso, claro, não funciona. O resultado é um filho que não sabe lidar com frustrações, que está destinado a sofrer quando descobrir que não pode tudo.

Muita gente dá a desculpa de trabalhar demais, porém isso não é motivo para deixar de cuidar das crianças e adolescentes. "A ausência física não é difícil de explicar para os filhos. O mais preocupante é a ausência psicológica, pais que chegam em casa e não têm tempo para ficar com os pequenos", explica Caio. De acordo com o especialista, a ausência psicológica é entendida como rejeição pelas crianças, o que gera uma reação agressiva. É por isso que observamos tantos pequenos revoltados com tudo e todos.

E como corrigir esse tipo de comportamento? "Essa tarefa é muito difícil, porque os limites são dados desde o berço. Mas é possível tentar estabelecer limites se os pais assumirem que erraram na criação do filho e apostarem no diálogo", responde Caio.

Já Daniella acredita que todo comportamento traz uma informação, um pedido. Ela sugere um método eficaz na educação dos pequenos. "Se a criança riscar a televisão, os adultos podem fazer o seguinte: dizer a ela - ‘Você riscou a televisão, isso não foi uma boa atitude, por isso vai limpá-la e ficar dois dias sem TV. Como você a estragou, não poderá assistir’. Daniella explica que muitos pensam que isso e castigo são a mesma coisa, mas não são. "O resultado da ação fica claro, assim como a necessária reparação". Além disso, é importante recomeçar, conhecer o filho novamente e abandonar as características ruins nas quais os filhos foram encaixados.

Agora, se seu pequenino ainda tem até cinco ou seis anos, ainda há tempo para corrigi-lo. É nesse período que eles estão construindo o caráter, baseados em modelos. "Para suprir as necessidades psicológicas dos filhos, é necessário se dedicar e dar o máximo de atenção a eles no tempo que se tem disponível, mesmo que esse tempo seja de apenas 15 minutos", afirma Caio.


Para que tenham uma relação plena com suas crianças e adolescentes, os adultos precisam romper o paradigma de perfeição. Afinal, nenhum ser humano é perfeito. Entendendo isso, os pais aprendem a estar presentes de verdade na vida dos filhos. "Nesta grande relação podemos sim, estar disponíveis para cada encontro, para ensinar e aprender com nossas pequenas grandes crianças, estarmos abertos ao não sei, abertos a mostrar os sentimentos, a deixar que nossos filhos realmente nos conheçam e a conhecê-los nesta relação viva, de amor, encontro e alegria", finaliza a terapeuta.

Por Priscilla Nery (MBPress)

Comente