Pais criam ONGs para superar a perda do filho

Pais criam ONGs para superar perda

Foto/Reprodução Site Instituto Ives Ota

A perda de um filho é um dano irreparável para a alma dos pais. Não importa a forma como a fatalidade ocorreu, seja por violência ou por uma doença terrível e sem cura, a dor é avassaladora.

Muitos pais que passaram por essa trágica experiência tomaram a iniciativa de fundar ONGs e Institutos em memória do filho perdido. Assim aconteceu com Massataka Ota, comerciante de teve o filho Ives Ota sequestrado e assassinado. Lucinha Araújo, a mãe do poeta Cazuza, criou a Sociedade Viva Cazuza. São exemplos de pais e mães que encontraram nas ONGs um amparo para superar a perda do ente amado.

Mitch Winehouse, pai da cantora Amy Winehouse, tem o mesmo plano. Segundo a BBC de Londres Mitch trabalha a ideia de criar uma casa de reabilitação para oferecer tratamento a dependentes químicos de baixa renda. A instituição levará o nome da filha.

Massataka lembra que logo após a fatalidade ocorrida com seu filho ele realizou um abaixo assinado, o documento recebeu mais de um milhão de assinaturas. A intenção do pai era conseguir que a justiça implantasse a prisão perpétua para quem cometesse assassinato. Três homens, sendo dois policiais militares, sequestraram e assassinaram seu filho Ives, de apenas oito anos. O crime ocorreu em 1997, seis anos depois os assassinos receberam o beneficio de cumprir a pena em liberdade.

"Com o tempo eu comecei a analisar o que o meu filho me ensinou, com ele aprendi que se você respeitar, será respeitado. Se você odiar, será odiado. Foi pelo Ives que eu perdoei os seus assassinos", desabafa Massataka. O Instituto Ives Ota oferece apoio psicológico, pedagógico e de saúde a crianças carentes.

"Na última Páscoa de meu filho, estávamos indo visitar os meus pais. Quando parei no farol um garoto de rua se aproximou pedindo esmola. Como era Páscoa que decidi dar uma boa quantia.

Depois que o menino viu os ovos dentro do carro não quis mais o dinheiro e me pediu um ovo. Eu confesso que neguei. O Ives pegou o ovo e deu ao garoto. Eu chamei a atenção dele, por ter dado o presente da vovó. Para minha surpresa o meu filho me lembrou que eu tinha dinheiro e poderia comprar outros ovos, mas o menino não teria a mesma chance", relata Ota, emocionado. "Nos anos seguintes passei a distribuir ovos na Páscoa, como meu filho havia me ensinado", completa.

Lucinha de Araújo há 21 anos fundou a Sociedade Viva Cazuza, no Rio de Janeiro. A instituição arrecada doações e oferece abrigo às crianças portadoras do vírus HIV. Atualmente 25 crianças e adolescentes vivem na Sociedade. Nessas duas décadas 75 crianças passaram por lá. Orgulhosa, a presidente e fundadora diz: "Esses meninos e meninas levam uma vida normal. Estudam com outras crianças em escolas públicas e privadas, recebem cuidados médicos e odontológicos. Nossa casa é como qualquer outra, só que grande".

"A AIDS é uma doença terrível você não pode passar por ela sem sofrer uma transformação, devasta a sua saúde e a sua condição financeira. Quem é rico fica médio, que é médio fica pobre", lamenta Lucinha.

A mãe de Cazuza lembra que quando a doença atingiu seu filho ele já era um homem independente, capaz de se manter sozinho e no auge de sua carreira. Afirmou que foi difícil ver seu único filho falecendo aos poucos. "Quando ele morreu eu fiquei me sentindo perdida. A Sociedade Viva Cazuza foi minha tábua de salvação", revela Lucinha.


O comerciante Massataka garante que o Instituto auxilia outros pais que também perderam seus filhos. "Muitos pais ficaram surpresos quando perdoei os homens que tiraram a vida do meu filho.

O Ives veio ao mundo para me ensinar a perdoar e perdoei para que a alma do meu filho continuasse sempre feliz", dispara emocionado. Lucinha pede para que as mães de portadores do vírus nunca abandonem seus filhos. "Um beijo de mãe vale mais que um frasco de AZT", garante a mãe de Cazuza.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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