Pai equilibrista

Pai equilibrista

A revista Época publicou recentemente uma matéria completa e sensível descrevendo a vida de alguns pais equilibristas aqui no Brasil. O ponta pé inicial da reportagem foi um estudo publicado pelo Boston College, universidade de Massachusetts, chamado "O novo pai ? Explorando a paternidade no contexto da carreira". Em geral, ele concluiu que os homens americanos sofrem mais para atender às cobranças em casa e no escritório.

Além de dar exemplos de pais que se desdobram ou até, como várias mães equilibristas (me incluo nessa), abriram mão da carreira tradicional e cortaram horas de trabalho para se dedicar aos filhos, tem o exemplo do "dono de casa", do pai divorciado, com dois filhos do primeiro casamento e um do segundo, do que largou o emprego como publicitário e foi trabalhar em casa e de outro que trabalha meio período. O bacana são gráficos com porcentagens que contam como eles dividem seu tempo durante o dia, ressaltando que alguns cuidam da casa e fazem comida.

No texto principal, sobressaem os temas que já comentamos por aqui: o jeito como a mulher considera o lado profissional apenas parte de sua vida, a recente valorização da família pelo homem, o equilíbrio de homens e mulheres no mercado de trabalho (nos EUA elas são 55%, aqui somos 41,4% da mão de obra empregada). Claro, comentaram o número de horas gastas por homens e mulheres no trabalho doméstico (pra mulher sempre sobra bem mais) e a diferença gritante entre licença-maternidade e licença-paternidade.

Mas o mais interessante, a meu ver, são dois pontos que retratam uma dificuldade enfrentada pelas mulheres nessa transformação. Apesar de muito bem sucedidas em suas carreiras, elas não querem abrir mão do poder que têm em casa e, principalmente, com os filhos. E um reflexo disso é que - incrível, comprovado na pesquisa americana! - elas subestimam a contribuição do marido dentro de casa. Será que também já não vimos este filme antes? Afinal as mulheres também saíram para o mercado de trabalho para se sentirem úteis e valorizadas. Na minha opinião, é o trabalho doméstico e também a dedicação integral ou semi-integral às crianças que andavam desvalorizados e agora vale revertermos este processo.


Até mesmo a culpa então, começa a assolá-los… consequência direta dessa vida de equilibrista! Só pra completar, foi meu marido, que é antenado e, na minha opinião, um ótimo pai equilibrista, quem me enviou o link da matéria por e-mail.

Cecília Russo Troiano é psicóloga, sócia-diretora da Troiano Consultoria de Marca e autora do livro "Vida de Equilibrista". Casada e mãe de 2 filhos, ela afirma que é mãe equilibrista, vive sua vida tentando equilibrar "pratinhos". Email - cecilia@troiano.com.br Venda do seu livro pelo site www.vidadeequilibrista.com.br

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