Pai ausente

Pai ausente

Encarar uma gravidez na adolescência não é fácil. Pior ainda quando não se tem o apoio do namorado, tanto como companheiro quanto financeiramente.

Foi o que aconteceu com Sandra*, 24. Depois que Antônio ficou sabendo da gravidez disse que os dois iriam morar juntos e casar. Na época, ele acabou apenas visitando o filho um dia após o nascimento e só registrou a criança. Desde então, o pai de Sandra arca com todas as despesas do pequeno, que atualmente tem um ano e dois meses.

“No início, ele quase não via o bebê. Nunca comprou um remédio ou bancou o plano de saúde. A principal desculpa é que ele tinha que pagar a pensão do seu outro filho”, afirma.

Apesar de Sandra conseguir o direito de receber a pensão, isso no início desse ano, a jovem preferiu retirar o processo. “Ele sempre jogava isso na minha cara, até pediu o dinheiro de volta. Hoje prefiro ficar em paz. Entramos num acordo e ele visita o filho de vez em quanto. É melhor assim”, desabafa.

Se o caso de Sandra tivesse começado hoje, ela teria o direito de pedir a pensão alimentícia já durante a gravidez. A advogada Sylvia Maria Mendonça do Amaral, especialista em Direito de Família, afirma que a Câmara dos Deputados já aprovou um projeto de lei que concede as gestantes o suporte financeiro desde a concepção até o nascimento de seu filho.

Conforme Amaral, a gestante só precisa de um laudo médico para comprovar a paternidade da criança. “Caso o suposto pai a conteste, deverá ser realizado exame de DNA. A lei beneficia as gestantes que são abandonadas durante a gravidez”, acrescenta.

Para Sandra, que atualmente está desempregada e quer voltar a estudar e trabalhar, o suporte do seu pai é fundamental. No futuro, a jovem pretende contar tudo o que houve para o filho e tem a idéia de deixar a criança sob a tutela financeira do avô.

Infelizmente Carolina* não conta com o mesmo apoio. Ela não ficou grávida na adolescência, na época tinha 35 anos, estava sem emprego e pagava aluguel. Para piorar, também não tinha contato com a família.

“O pai do Lucas* era casado e morria de medo que a mulher soubesse. Chegou a me ver duas vezes na rua e nunca visitou o filho, mal registrou”, relata. Por trabalhar como auxiliar de serviços gerais em várias casas, Carolina acabou recebendo ajuda de uma das famílias, que a acolheu.

Hoje em dia, o menino tem oito anos e ela prefere não ir atrás dos seus diretos. “Por enquanto o Lucas não faz muitas perguntas sobre o pai. Se ele desejar conhecê-lo, não vou proibir”.

*Nomes fictícios

Por Juliana Lopes

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