Os riscos da obesidade infantil

Os riscos da obesidade infantil

O problema da obesidade é, infelizmente, generalizado. Isso significa que todas as idades vêm sofrendo, principalmente, com a má alimentação e a diminuição das atividades físicas. E as crianças não ficam ilesas. A obesidade é considerada a doença crônica que mais prevalece na população infantil.

Dados indicam, segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), que um processo de transição nutricional vem ocorrendo nas ultimas três décadas. A avaliação de crianças brasileiras estudada pela Pesquisa Brasileira do Orçamento Familiar do IBGE indica que, na faixa etária de 10 a 19 anos, a frequência de excesso de peso é de 16,7%. Esta freqüência é ainda maior para os pré-adolescentes, entre 10 e 11 anos, chegando a 22%.

O mesmo estudo aponta que as meninas sofrem mais do problema que os meninos e que nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste o número de pequenos obesos é maior. “Meninas do sudeste urbano apresentam os maiores índices de obesidade entre as crianças e adolescentes do país, chegando a 4%”, calcula a nutricionista Mariana Del Bosco, do Departamento de Nutrição da ABESO.

Segundo ela, o tratamento da criança obesa deve ser instituído o mais precocemente possível, assim que se faz o diagnóstico. “Os estudos apontam que a maneira mais eficaz de tratar a obesidade infantil, de forma que a criança emagreça e mantenha-se num peso saudável a longo prazo, é a reeducação alimentar, inserida num processo de mudança de comportamento, tanto com relação às práticas alimentares, como com relação ao estilo de vida”, ensina a profissional. Além disso, a prática de exercícios físicos é fundamental. “A criança deve abandonar os hábitos sedentários e gastar mais energia com atividades do dia-a-dia, além de ter uma atividade física programada”, recomenda.

Ela indica ainda que família toda siga orientações para uma alimentação mais saudável. “Devemos rever e orientar a aquisição dos gêneros alimentícios, a forma de preparo e o padrão de consumo. De maneira geral, diminuindo o consumo de alimentos de alta densidade energética (frituras, guloseimas, fast-food) e estipulando frequência e quantidade adequadas. É também importante ajustar os horários, garantindo o fracionamento adequado. Práticas como comer na frente da TV ou computador devem ser abandonadas”, finaliza. Para tirar ainda mais dúvidas sobre esse assunto, o Vila Filhos foi conversar com o endocrinologista Marcio Mancini, presidente da Abeso, que falou sobre os perigos da doença e o uso de medicamento e até cirurgia como tratamento.

A obesidade infantil pode ser fatal?

Dá-se menos atenção à obesidade na infância, mas ela leva às mesmas doenças que na idade adulta, ou seja, pressão alta, alteração de colesterol, diabetes, apnéia do sono, etc. Raramente ocorrem mortes em consequência da obesidade na infância, mas ocorre uma redução da expectativa de vida.

Que tipo de problemas ela acarreta principalmente?

Além dos já citados, agravamento de quadros de asma e outras doenças respiratórias, dores articulares e inadequação à atividade física, desajustes psicológicos, depressão e até isolamento.

Quais as principais causas: orientação inadequada ou alimentação incorreta mesmo?

Falta de atividade física e alimentação incorreta com excesso de gorduras e açúcares são as principais. Claro que há crianças com maior propensão, por isso é indicado a consulta com especialistas como endocrinologistas e nutricionistas.

Filhos de pais obesos possuem mais chances de desenvolver o problema do que os que possuem histórico familiar saudável?

Sim, pela causa genética e por compartilhar de ambiente inadequado.


Criança pode tomar medicação para emagrecer? E pode fazer a cirurgia de redução de estômago?

Casos selecionados podem usar medicações, desde que prescritas por especialista com experiência na área. A cirurgia de redução de estômago seria uma medida de exceção, somente se aprovada por uma junta médica e por um conselho de ética da instituição, além do próprio Conselho Federal de Medicina (CFM).

Por Sabrina Passos (MBPress)

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