Os pais amam mais um filho do que outro?

Os pais amam mais um filho do que outro

Se você perguntar para qualquer mãe, que tenha mais de um filho, qual deles ela ama mais a respostas é unânime: "Amo os dois igual, cada um do seu jeito". Mas será que isso é verdade ou realmente existe um favorito?

O recente livro que está dando o que falar "The sibling effect: what the bonds among brothers and sisters reveal about us" ou algo como "O efeito fraternal: o que as relações entre filhos revelam sobre nós", conta como o autor, Jeffrey Kluger, foi afetado na infância pelas predileções dos pais pelos irmãos.

Kluger, o editor da revista Time, detalhou que seu pai gostava mais do irmão mais velho e sua mãe do mais novo: "Eles sempre negaram. Foi uma tentativa de me poupar da dor de ser o último da fila", diz Kluger. O autor descreveu no seu livro alguns estudos científicos e pesquisas diversas sobre o assunto e concluiu que o favoritismo dos pais por alguns filhos existe mesmo.

De acordo com a psicóloga Ana Pozza é verdade que um pai pode ter mais ‘afinidade’ com um filho do que com outro. "Às vezes um filho pode ter um temperamento semelhante ou completamente diferente ao do pai/mãe, o que faz com que a convivência entre ambos sofra esta influência, positivamente ou nem tanto".

Um exemplo bem claro que a especialista nos dá é o seguinte: "A filha que se habitua a ir à praia com a mãe poderá ser uma excelente companhia, enquanto a outra não suporta o sol quente. Se a mãe for assídua à praia e a filha adorar este programa, tenderá a criar afinidades, dando o sentimento à outra irmã de que ela é a preferida da mamãe. E talvez até seja. Por isso, é importante que esta mãe possa também ter programas em comum com a outra filha, ou que tenha diálogo aberto e respeito às diferenças, as quais podem se reverter em crescimento para todo o grupo".

Dessa forma, Dra. Ana nos explica como podem nascer as "preferências" por um filho ou outro, mas nos lembra de que o amor deve existir independente das tarefas que eles realizem juntos: "Quando se trata de falar em ‘preferência’ é preciso estar atento. Preferir um filho e renegar outro (abertamente ou não), pode gerar intenso sofrimento naquele que não se sente tão prestigiado, sendo uma situação de violência emocional, pois todos os filhos merecem e precisam do amor dos pais".

E continua: "Amar um filho significa poder aceitá-lo como ele é, independente de favoritismos. Um pai morreria por um filho, porque o ama. Afinidade é outra coisa, é uma parte do amor, aquela que tem a ver com compartilhar os mesmos gostos e fins".

Dra. Ana também chama atenção para aquelas situações em que um dos filhos faz tudo certinho apenas para alcançar as expectativas dos pais e assim receber condições de preferência: "É como se estivesse sempre vestindo uma máscara correspondente às expectativas dos outros; cresce com dificuldades de identificar os seus próprios desejos, interferindo no desenvolvimento da sua personalidade". Isso não é saudável para o filho e pais não devem de maneira alguma incentivar.


Portanto, os pais devem estar atentos quando realizam tarefas em comum, ou partilham dos mesmos "hobbys" com um filho e esquece de criar laços com o outro. Uma ótima dica que a psicóloga nos dá é a seguinte: "Reconhecer as afinidades e diferenças poderia ser uma boa proposta terapêutica para as famílias para auxiliar no processo de amar e do conhecimento mútuo, no lugar de preferir e dar privilégios mais a um do que a outro. Afinal, são filhos esperando serem amados por seus pais."

Alessandra Vespa (MBPress)

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