Os pais amam mais um filho do que outro?

  • Facebook
  • Pinterest
  • Twitter
  • Google+
Os pais amam mais um filho do que outro

Se você perguntar para qualquer mãe, que tenha mais de um filho, qual deles ela ama mais a respostas é unânime: "Amo os dois igual, cada um do seu jeito". Mas será que isso é verdade ou realmente existe um favorito?

O recente livro que está dando o que falar "The sibling effect: what the bonds among brothers and sisters reveal about us" ou algo como "O efeito fraternal: o que as relações entre filhos revelam sobre nós", conta como o autor, Jeffrey Kluger, foi afetado na infância pelas predileções dos pais pelos irmãos.

Kluger, o editor da revista Time, detalhou que seu pai gostava mais do irmão mais velho e sua mãe do mais novo: "Eles sempre negaram. Foi uma tentativa de me poupar da dor de ser o último da fila", diz Kluger. O autor descreveu no seu livro alguns estudos científicos e pesquisas diversas sobre o assunto e concluiu que o favoritismo dos pais por alguns filhos existe mesmo.

De acordo com a psicóloga Ana Pozza é verdade que um pai pode ter mais ‘afinidade’ com um filho do que com outro. "Às vezes um filho pode ter um temperamento semelhante ou completamente diferente ao do pai/mãe, o que faz com que a convivência entre ambos sofra esta influência, positivamente ou nem tanto".

Um exemplo bem claro que a especialista nos dá é o seguinte: "A filha que se habitua a ir à praia com a mãe poderá ser uma excelente companhia, enquanto a outra não suporta o sol quente. Se a mãe for assídua à praia e a filha adorar este programa, tenderá a criar afinidades, dando o sentimento à outra irmã de que ela é a preferida da mamãe. E talvez até seja. Por isso, é importante que esta mãe possa também ter programas em comum com a outra filha, ou que tenha diálogo aberto e respeito às diferenças, as quais podem se reverter em crescimento para todo o grupo".

Dessa forma, Dra. Ana nos explica como podem nascer as "preferências" por um filho ou outro, mas nos lembra de que o amor deve existir independente das tarefas que eles realizem juntos: "Quando se trata de falar em ‘preferência’ é preciso estar atento. Preferir um filho e renegar outro (abertamente ou não), pode gerar intenso sofrimento naquele que não se sente tão prestigiado, sendo uma situação de violência emocional, pois todos os filhos merecem e precisam do amor dos pais".

E continua: "Amar um filho significa poder aceitá-lo como ele é, independente de favoritismos. Um pai morreria por um filho, porque o ama. Afinidade é outra coisa, é uma parte do amor, aquela que tem a ver com compartilhar os mesmos gostos e fins".

Dra. Ana também chama atenção para aquelas situações em que um dos filhos faz tudo certinho apenas para alcançar as expectativas dos pais e assim receber condições de preferência: "É como se estivesse sempre vestindo uma máscara correspondente às expectativas dos outros; cresce com dificuldades de identificar os seus próprios desejos, interferindo no desenvolvimento da sua personalidade". Isso não é saudável para o filho e pais não devem de maneira alguma incentivar.


Portanto, os pais devem estar atentos quando realizam tarefas em comum, ou partilham dos mesmos "hobbys" com um filho e esquece de criar laços com o outro. Uma ótima dica que a psicóloga nos dá é a seguinte: "Reconhecer as afinidades e diferenças poderia ser uma boa proposta terapêutica para as famílias para auxiliar no processo de amar e do conhecimento mútuo, no lugar de preferir e dar privilégios mais a um do que a outro. Afinal, são filhos esperando serem amados por seus pais."

Alessandra Vespa (MBPress)

  • Facebook
  • Pinterest
  • Twitter
  • Google+

Comente