Obesidade infantil: saiba como evitá-la

Obesidade infantil saiba como evitála

Foto: Jamie Grill/Tetra Images/Corbis

De acordo com levantamento recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) cerca de 16% dos meninos e 12% das meninas com idade entre cinco e nove anos sofrem com a obesidade infantil. Os dados são preocupantes e representam um aumento de 6,5 vezes desde 1974. Se o estudo considerar o sobrepeso (estágio intermediário entre peso ideal e obesidade) os índices saltam para 51% dos meninos e 44% das meninas.

Uma criança obesa tem grandes chances de se tornar um adulto obeso. E os problemas decorrentes do excesso de peso começam logo cedo. Segundo Renata Abdulmassih, Nutricionista Clínica responsável pela UTI cardiopediátrica do HCor, a curto prazo a criança pode apresentar dificuldades para desenvolver atividades físicas, devido à dificuldade de respirar e cansaço, problemas com articulações e alteração do sono.

A lista é ainda maior e inclui desânimo, depressão, queda no rendimento escolar, baixa autoestima, isolamento e discriminação. "No caso das meninas acontece o amadurecimento prematuro (podem entrar antes na puberdade e ter ciclos menstruais irregulares). A longo prazo a obesidade pode causar problemas ósseos, hipertensão, colesterol, doenças cardiovasculares, distúrbios hepáticos, diabetes etc.", alerta a nutricionista.

Diante de riscos tão graves, cabe aos pais incentivarem os filhos a se alimentarem de maneira saudável e moderada. Caso a família não tenha bons hábitos esta acaba sendo uma boa oportunidade de fazer uma reeducação alimentar, já que os pais são tidos como exemplos para seus herdeiros.

"Para começar a mudar os hábitos alimentares dos filhos os pais podem incentivar a ingestão de frutas frescas como morango, banana, maçã, pera, salada de frutas, gelatina, bolo preparado com flocos de aveia, bolo de cenoura, biscoitos caseiros integrais, sucos e água de coco", sugere Roberta. "Desde cedo, a criança deve ser incentivada a fazer de cinco a seis refeições por dia - café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia - e beber bastante água", completa.

Alimentos como salgadinhos, doces, refrigerantes e fast food devem ser evitados. Caso não seja possível proibir, ofereça apenas em ocasiões especiais ou determine uma pequena porção todos os dias. Lembrando que a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda oferecer tais alimentos para crianças menores de um ano.

Renata Abdulmassih dá outras dicas importantes:

- Aposte em cores variadas para tornar o prato mais atraente. A apresentação dos alimentos é uma forma de instigar o apetite da criança.

- Envolva a criança na escolha e no preparo dos alimentos. Transforme isso em algo atraente, como uma brincadeira, para ela conhecer mais sobre alimentação. Exemplo: Leve-a ao sacolão/mercado para ajudar nas escolhas de frutas, verduras e legumes, permitindo que ela leve uma de sua preferência.

- Na medida do possível, explique para a criança a função dos alimentos, a importância de cada grupo alimentar, o porquê a dieta ser tão variada e não conter apenas biscoitos ou chocolates. Introduza na hora da refeição assuntos ligados à boa nutrição.

- Insista com as novidades, pois nem sempre a criança concorda em comer uma preparação que lhe é oferecida pela primeira vez. Os alimentos, uma vez rejeitados, devem ser novamente oferecidos.

- Deixe a criança controlar o quanto come. Não force. Dificilmente ela consumirá uma quantidade elevada de alimentos saudáveis que acarretarão num ganho de peso. Além disso, quando as crianças são obrigadas a comer tudo, podem perder o ponto da saciedade.

- Respeite a decisão da criança se ela não quiser comer naquele momento. Mais tarde ela irá procurar você para se alimentar. Nessa hora ofereça sempre refeições saudáveis.


Juliana Falcão (MBPress)

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