O tablet ajuda ou não no desenvolvimento do seu filho?

O tablet ajuda ou não no desenvolvimento do seu fi

Foto: Jordan Siemens/Corbis

Um dos aparelhos tecnológicos que compõe a lista de desejos de muita gente está se tornando pauta de muitas reuniões de pais e mestres pelas escolas do Brasil. O tablet está sendo cada vez mais usado para ajudar não somente no aprendizado da criançada, mas também na estimulação motora dos bebês.

É claro que você já deve ter visto alguma criança de dois ou três anos mexendo nesse aparelho, deslizando os dedinhos pela tela e se divertindo com os diversos joguinhos. Isso acontece com a supervisão dos pais, geralmente, dentro de casa. Mas agora o ambiente será outro: as crianças poderão brincar com os diversos aplicativos sob os cuidados dos professores dentro das escolas.

"Sem dúvida nenhuma o uso do tablet ajuda no desenvolvimento da criança. Essa estratégia de ensino atende às expectativas delas, no sentido de respeitar a era digital em que elas vivem. A primeira coisa que um educador deve pensar quando se trata do desenvolvimento de uma criança é em como atrair a atenção dela. O tablet é interessante e desafiador, tudo isso encanta os pequenos", defende coordenadora pedagógica Rosa Maria Cavalcanti, do Colégio Brasil Canadá.

Porém, esta não é a mesma opinião de Valéria Rocha, diretora da escola Quintal do João Menino. Ela acha que o uso do tablet pode atrapalhar o desenvolvimento da criança. "O mundo interior da criança é sabotado por imagens (forma e conteúdo) que já vêm prontas, prejudicando sua formação criativa e lúdica."

Conforme explica a coordenadora do Colégio Brasil Canadá, as aulas acontecem com um tablet ligado ao ApleTV. "Formamos um grupo de crianças. Uma de cada vez manuseia o tablet. Tudo o que o aluno que está manuseando o tablet faz é visto na TV pelos demais. Dessa forma, todos participam dando palpites, apresentando sugestões e indicando quando o caminho não está adequado".

No Colégio Brasil Canadá os tablets são usados por crianças a partir dos três anos. "Essas aulas acontecem sempre que um conteúdo pode ser explorado com o uso de tablets, elas podem acontecer uma, duas ou três vezes por semana, e acontecem há mais ou menos um ano e meio na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I", explica Rosa Maria.

Já Valeria pensa que existem outros meios para interagir com as crianças. "Sempre vivemos sem o tablet. Há brinquedos, jogos e objetos que ajudam as crianças a se conectarem com outros reinos da natureza como madeira, pedras, tecidos, areia, água e etc. Nessa troca de vivências e experiências com outras crianças, elas podem desenvolver suas capacidades humanas, tanto físicas como emocionais."

Na concepção da diretora do colégio Quintal do João Menino o tablet em uma sala de aula poderia entrar apenas no Ensino Médio e, mesmo assim, com critérios. "Todas as matérias ensinadas por um professor que com entusiasmo desperta em seu aluno o amor pelo aprender, não podem ser substituídas por uma máquina. A interação humana professor/aluno é fundamental na formação ética da criança. Os tablets usados indevidamente podem isolar os alunos das forças vivas que estruturam o aprendizado."

Rosa Maria conta que os pais aceitaram muito bem o uso dessa tecnologia. "Em reuniões de pais e mestres, abordamos o uso de tablets pelas crianças, apresentando e discutindo com os responsáveis os benefícios e os malefícios do uso dessa tecnologia. Apresentamos também estudos de especialistas e explicamos como será usado o equipamento".

Valéria acredita que poderão ocorrer diferenças entre crianças que usam o tablet e aquelas que não usam. "As que utilizam muito um tablet não sabem mais brincar, são ansiosas, inquietas, têm maior dificuldade de concentração. O mundo pode se tornar chato para elas, pois ficam insatisfeitas. Os valores humanos como respeito, admiração e confiança são forças abstratas, que necessitam ser vivenciadas através da relação humana", diz.

Rosa Maria concorda em partes e pensa que os tablets não podem substituir o contato físico entre as crianças. "A grande maioria das atividades deve ser compartilhada, de forma a promover as relações pessoais entre elas. Olhar nos olhos, dar as mãos, aproximar-se fisicamente, discutir verbalmente uma questão, gesticular, movimentar o corpo, falar ao ouvido, sentir emoção e sentir a emoção do outro, enfim, ter sensações provocadas pelo contato físico é sempre mais importante", finaliza.


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Por Marisa Walsick (MBPress)

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