O primeiro copo de cerveja antes dos 13 anos

O primeiro copo de cerveja antes dos 13 anos

Álcool e adolescentes, uma mistura pra lá de perigosa. Apesar da venda ser proibida para menores de 18 anos, conforme a Lei nº 9294, de 15 de julho de 1996, não é dificil encontrar jovens abaixo dessa idade consumindo cerveja e destilados. Na pesquisa desenvolvida pelo projeto "Este Jovem Brasileiro", mais de 80% dos entrevistados, entre 16 e 18 anos, já experimentaram álcool e 90% alegaram que a bebida é facilmente adquirida.

Além da saúde desses jovens estar em jogo, há também sérios problemas de convivio em sociedade que trazem consequencias mais sérias na idade adulta. Às vezes, o primeiro gole vem de forma ingênua e também associado a problemas em casa. Filhos de pais que nunca viveram juntos; jovens que têm relação ruim ou péssima em casa; famílias em que pai e mãe bebem demais, além de alunos com desempenho péssimo na escola e que faltam demais às aulas, são os grupos mais propensos a consumir frequetemente bebidas alcoólicas, conforme o estudo do Portal Educacional (www.educacional.com.br).

A pesquisa também mostrou os "fatores de proteção" ao consumo mais pesado: ter uma relação boa ou ótima dentro de casa, ter pai e mãe que não bebem muito, seguir uma religião e praticar uma atividade física moderada.

"Ela aponta para a necessidade de se discutir essas questões de uma forma mais séria, mas ao mesmo tempo mais dinâmica, dentro e fora da escola. E é fundamental que o jovem participe ativamente dessa discussão. Ele precisa entender os riscos e impactos do consumo abusivo de álcool e aprender a se relacionar com a bebida de uma forma mais saudável", comenta Jairo Bouer, médico psiquiatra e coordenador da pesquisa.

O estudo do Portal Educacional com 12 mil alunos, de 13 a 18 anos, e outro feito pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), do Estado de São Paulo, confirmam que muitos jovens buscam a bebida entre 11 e 13 anos. Dos 11.846 jovens que responderam à pesquisa do portal, 7924 já beberam. Desses, 37% começaram aos 13. Já no Cratod, outro dado relevante: metade dos 512 pacientes entre 12 e 17 anos atendidos lá têm pais ou parentes próximos com problemas relacionados ao consumo de álcool.

O álcool, assim como as drogas, causa uma relação de dependência e deve ter consumo controlado desde a adolescência. Entre adultos e jovens já se estima que o número de dependentes esteja entre 10% e 15% da população mundial. No Estado de São Paulo, por exemplo, pelo menos 1 milhão de pessoas sofrem desso alcoolismo.


Conforme o Ministério da Saúde, o alcoolismo é uma doença tratável, mas ainda não há cura. Isto significa que mesmo que um dependente de álcool esteja sóbrio por muito tempo e tenha sua saúde de volta, ele ainda está suscetível a recaídas e deve continuar evitando todas as bebidas alcóolicas.

Por Juliana Lopes

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