O papel dos avós

A relação entre filhos, pais e avós pode ser considerada ambígua. Ao mesmo tempo em que os avós vêem uma nova oportunidade de se tornarem pais, eles precisam deixar que seus filhos exerçam esta função. Por outro lado, os pais enxergam em seus próprios pais, um porto seguro e um exemplo.

Hoje em dia, a convivência das crianças com os avós é uma constante. Muitas crianças passam mais tempo com os avós do que com os próprios pais, que levam uma vida agitada e trabalham fora na maior parte do dia.

Para os avós, cuidar dos netos é mais fácil do que foi cuidar dos filhos, pois as rédeas da educação não pertencem a eles. Apenas a harmonia da convivência é aproveitada. Por outro lado, os netos vêem a casa dos avós como um lugar onde eles podem fazer coisas que os pais não permitem. Até coisas erradas, pois estão confiantes de que não serão repreendidos.

Já os pais andam em corda bamba nessa situação. Ao mesmo tempo em que tentam educar seus filhos à sua maneira, inconscientemente gostam da aprovação de seus pais em relação à criação. Principalmente mães e avós podem desenvolver uma relação de competição pela simpatia da criança. No entanto, as duas devem agir juntas. Isso porque a figura dos avós é muito importante para a formação de crianças, pois eles também se tornam exemplos e ídolos.

“Em meu consultório, sinto que os avós são muito cuidadosos e carinhosos com os netos. Como as mães trabalham fora, eles funcionam como intermediários desta relação, relatando aos pais as evoluções e acontecimentos da vida da criança”, conta a Regina Meira Labbate, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Algumas vezes, essa relação diminui a autoridade dos pais, pois os pequenos passam a ver os avós como autoridade máxima e se espelham neles. É nessa hora que a educação entra em conflito. “De uma geração para outra, houve grandes mudanças e uma diferença enorme de conceitos. Antigamente, não se escutava as crianças. Hoje, elas são ouvidas demais. O meio termo seria ideal”, completa a pediatra.

Regina afirma também que a situação ideal para os três lados é aquela em que os avós não têm obrigação de cuidar dos netos, ou seja, curtem a crianças, mas não realizam grandes influências na educação dos mesmos.

A dica de leitura do Vila Filhos é o “Livro doa Avós”, de de Lidia Aratangy e Leonardo Posternak. Confira aqui um pequeno trecho da obra:

”... a arte de ser avós consiste, antes de tudo, na arte de ser pais de filhos adultos, o que requer um delicado equilíbrio entre estar disponível quando necessário e não ser invasivo. Pois mesmo depois de serem pais, os filhos precisam de apoio, reconhecimento e até de proteção, ainda que às vezes tenham certa resistência para confessar. Talvez em qualquer etapa esse tipo de apoio seria bem-vindo. Até mesmo quando temos de aprender a ser avós”.

Fonte - MBPress

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