O mundo mágico dos mangás

O mundo mágico dos mangás

Danilo Boros (Acervo pessoal)

A fantasia ultrapassa os limites da infância e ganha espaço entre adolescentes e adultos. O que antes era parte do universo infantil vira fanatismo no gosto de quem já é grandinho. Desenhos mangás e histórias em quadrinhos uniram seus poderes e, como um raio laser japonês, evoluíram e mantém seu favoritismo entre o público “teen”.

Para compreender o motivo pelo qual alguns jovens parecem não querer largar esse mundo da fantasia que tem os olhos grandes e os traços bem característicos, é preciso baixar a guardar e aprender mais sobre o assunto. As histórias de origem japonesa são chamadas de mangás e se diferenciam dos quadrinhos ocidentais. “São fruto da cultura pós-guerra japonesa”, conta Danilo Boros, estudante de Rádio e TV e fã de mangás e HQs. Ele explica que existem diferentes tipos de mangás, como os infantis com traços mais alegres e coloridos, com pouca violência, até os que conquistam os jovens, com um traço diferenciado e temática mais forte. Há também mangás para cada gênero. Para as meninas, são popularmente conhecidos como “shoujo”, onde normalmente o personagem principal é uma mulher ou garota e aborda temas mais voltados ao público feminino, como relacionamentos ou a constituição de uma família.

Com episódios sequenciais, os mangás seduzem e prendem a atenção de quem lê. “As histórias trabalham com o imaginário e permitem que o leitor se projete sobre o personagem e as situações por ele vividas. Assim, a exemplo das antigas histórias de fadas ou míticas, o leitor ‘revive’, enquanto participante, as histórias que está lendo”, analisa Francisco Assumpção Júnior, do Departamento de Psicologia Clínica da USP. Ele acredita que esse tipo de leitura é uma boa maneira de incentivar a criatividade, mas deve-se ficar atento a temática abordada em cada uma dessas histórias.

Danilo Boros Acervo pessoal

Danilo Boros (Acervo pessoal)

Alguns fãs admiram com tanto fervor que tentam ficar iguais aos seus ídolos de histórias em quadrinhos. “No Brasil, temos muitos eventos direcionados a comunidade que gosta de mangás. Alguns chegam a reunir de 20 a 30 mil pessoas em um dia”, conta Ricardo Jorge Freitas Rodrigues , gerente comercial da Comics Book Shop. Ele explica que muitas pessoas costumam ir caracterizadas como seus personagens preferidos - os chamados ‘cosplays’, do inglês ‘costume + play’. São fãs que também costumam agir como seus ídolos e reproduzir suas falas.

Danilo tem 20 anos e desde os seis admite gostar dessa arte em quadrinhos. “Meu interesse começou quando eu assisti pela primeira vez o anime ‘Cavaleiros do Zodíaco’, na extinta Rede Manchete. Eu vi aqueles desenhos com olhos enormes e foi amor à primeira vista”, conta. Em 2005, Danilo foi ao seu primeiro evento, em São Paulo, incorporou o primeiro ‘cosplay’ e nunca mais parou.

“Os encontros são essencialmente reuniões de fãs da cultura pop japonesa, é uma grande forma de conhecer gente que gosta da mesma coisa que você, de encontrar material que é raramente encontrado em lojas”. Danilo conta que nesses eventos acontecem também concursos de cosplay, ilustração, animekê (karaokê com músicas de animes). Nas grandes convenções, cantores japoneses se apresentam.

O que fez Danilo cair de amores pela cultura que rodeia os mangás foi o traço da arte. “Mas gosto muito também da música, das cores e principalmente das histórias muito bem elaboradas, que fazem frente a muitos roteiros de Hollywood”. Ele mesmo já incorporou vários dos seus personagens preferidos. Uma vez, pintou o cabelo de verde e se transformou em Ferio, do Guerreiras Mágicas de Rayearth. Em outra, colocou uma peruca loira, com trança, parar virar Edward Elric, do Fullmetal Alchemist.

O psicólogo Ricardo Jorge concorda que os encontros possam auxiliar como mais uma possibilidade social para os jovens. “A preocupação existe quando a restrição temática é tão intensa que impede outras atividades ou outros contatos”, alerta.

Os mangás consumidos no Brasil são todos importados e vendidos em bancas de jornal ou livrarias. As principais editoras são JBC, Conrad e Panini Comics.

Que tal dar asas a imaginação e combater arquiinimigos com super poderes e salvar o planeta contra o mal? Entender o que passa na cabeça dos adolescentes pode ajudar você a virar uma heroína sem sair de casa, apenas virando a página (ao contrário, claro).

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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