O dilema do filho único

O dilema do filho único

Foto: Oliver Eltinger/Corbis

Hoje em dia, grande parte das mulheres tem total controle sobre a gravidez, assim, planejando o melhor momento para aumentar a família. Bem esclarecidas, querem que os filhos tenham uma boa educação e uma infância sem privações. Com isso, muitas acabam tendo apenas um filho.

De acordo com Ramy Arany, terapeuta comportamental, as inseguranças da vida moderna também contribuem para essa decisão difícil, como carreira, falta de tempo, violência, entre outras. "Por essas razões, atualmente, muitos casais optam até mesmo por não terem filhos", destaca.

Mas, será que isso é bom para a criança? Realmente, não há como negar que acabam surgindo alguns problemas. "O maior ‘prejuízo’ é não ter irmãos. De fato há uma perda emocional, afetiva e social, pois aquelas que possuem irmãos apresentam um sentido maior de família e de poder dividir entre irmãos sua própria história de vida", explica.

Com a presença de outras crianças em casa, a especialista acredita que há um aprendizado em relação ao compartilhar. Para o filho único, realmente, acabam surgindo algumas dificuldades. "Em casa, ele passa um tempo maior entre adultos. Há ainda a questão da solidão e a perda da oportunidade de experimentar o amor entre irmãos", diz Ramy, acrescentando que os pais também acabam se acostumando a mimar em excesso e, assim, a criança acredita que tudo o que quer sempre terá.

Com isso, existe uma tendência de comportamento do filho único. Mas é claro que não se deve generalizar, já que inúmeros fatores contribuem para a sua formação, seja personalidade, escola, pais etc. "Eles podem vir a demonstrar tendência de serem mais isolados e mais egocêntricos, além de terem maior dificuldade de socialização e troca afetiva, além de apresentarem maturidade precoce. Pelos mimos, é comum terem dificuldades em aceitar um ‘não’", relata a terapeuta comportamental.


No entanto, é possível evitar que essas características se desenvolvam. Segundo a especialista, é preciso que os pais prestem muita atenção no filho. "É importante que sejam presentes na vida da criança e que promovam a sua socialização, oferecendo a oportunidade de convivência com outras crianças. Deve-se evitar mimos, protegendo-a contra o excesso de obtenção de tudo o que deseja. Também é preciso observar como ela se comporta onde quer que esteja e promover um estilo de vida em que ela não seja vista como uma criança especial", detalha.

Portanto, se realmente terá somente um filho, não se preocupe, pois é possível ter uma criança saudável, sem qualquer prejuízo e, sobretudo, fora do estereótipo de filho único chato e mimado. Mas para isso, é fundamental alguns cuidados, como os citados por Ramy.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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