O desafio de criar meninas

O desafio de criar meninas

Desde sempre, meninos e meninas recebem uma educação diferenciada. Seja pela própria criação que os pais receberam (e repetem), seja por imposição de conceitos da sociedade.

A psicopedagoga Kátia Pupo afirma que é difícil generalizar casos, afinal cada família tem seu jeito, cultura e crenças em se tratando de criação dos filhos. Mas mesmo assim, há diferenças importantes. "Se falamos das meninas criadas nas grandes cidades, a mudança é sem dúvida muito maior, do que no interior, por exemplo. Não há, hoje, a preocupação exagerada das famílias em preparar a menina para ser uma dona-de-casa exemplar. A maioria dos pais deseja para suas filhas uma carreira profissional, além de um casamento e filhos, é claro. Aumentou a expectativa diante delas", ressalta a profissional.

Claro que o conceito de que toda mulher deve ser delicada e feminina ainda existe e é muito cultivado pela sociedade, afinal, é o que as mulheres têm de melhor: ser mulher. Kátia explica que ainda há uma pressão muito grande por parte de uma maioria que insiste no conceito tradicional de que mulher deve ser "bonitinha, arrumadinha, doce e receptiva", como ela define. A mídia em geral investe muito nisso. São revistas fazendo publicações totalmente voltadas para a beleza, indústria de cosméticos utilizando de forte apelo nesse aspecto, ou mesmo a televisão. Mas mesmo com todo esse apelo, o universo feminino foi crescendo a aparecendo. "Cada vez mais mulheres saíram da esfera privada e passaram a frequentar com sucesso os espaços públicos", diz a psicopedagoga.

Meninas estão sendo criadas para o mundo, para serem mães, esposas e, inclusive, trabalhadoras. E não só "do lar". "Ao criar meninos e meninas, o cuidado é não reforçar estereótipos tradicionais, dar possibilidade que se desenvolvam em todas as potencialidades, independente disso estar ‘adequado’ ao que se espera dos papéis sexuais", esclarece a estudiosa em gêneros escolares.

Kátia sugere que a criação dos meninos é que deveria ser mudada, já que ainda existe uma sociedade predominantemente machista. "O desafio maior está com os pais e mães de meninos. Hoje a menina e a mulher podem muita coisa que antes não podiam, invadiram o universo que era predominantemente masculino, há maior tolerância com suas escolhas. Deveríamos nos preocupar em criar os ‘novos meninos’, para que a inevitável convivência entre os sexos nos relacionamentos amorosos e profissionais possa ser mais harmônica", pontua.


O maior desafio para mães de meninas é influenciá-las a construírem suas personalidades - bem longe dos conceitos tradicionais - e preservarem valores que realmente importam. "O desafio para as meninas passou a ser maior: entrar na briga da sociedade competitiva e manter o salto alto", finaliza Kátia.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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