Nojo da amamentação?

Nojo da amamentação Conheça o motivo dos mamaços

Foto - Corbis.

Ultimamente temos visto uma proliferação de "mamaços" (protestos com mães amamentando) acontecendo em diversas cidades brasileiras. Eles têm como objetivo conscientizar as pessoas da importância e beleza do ato de uma mãe amamentando seus filhos. Esses protestos surgem em resposta, aparentemente, das pessoas que não concordam, algumas tem até nojo, em ver mamães dando o peito às crianças. Por quê?

Essa resposta é o que busca a paulista moradora de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, Juliana Monteiro. Ela e sua filha Eloá, de 1 ano e 2 meses, foram expulsas de um consultório de odontopediatria por a mãe estar amamentando sua pequena.

"A médica dizia que os defeitos nos dentes de leite da Eloá eram culpa do leite materno. Enquanto atendia minha bebê, ela me dizia: ‘Só farei o tratamento especifico quando você retirar totalmente o peito da alimentação dela. Ela já entende o que é dodói, então faça um machucado com iodo no seu seio e quando ela quiser mamar mostre o dodói. Se você fosse uma favelada que precisasse dar o seu leite, tudo bem, mas não é o caso", publicou indignada Juliana em uma de suas redes sociais.

E, depois de a criança começar a mamar durante a consulta, a odontopediatra perdeu o controle.

"Ela finalizou a consulta gritando ‘Ah, não! Fazer essa nojeira no meu consultório, não! Na minha cadeira ainda? Pode levantar e tratar de tirar esse peito dela", seguiu relatando em sua postagem.

Sentindo-se humilhada pelo ocorrido, a mãe tentou fazer um Boletim de Ocorrência na delegacia de Cabo Frio, mas o pedido foi negado sob alegação de que não houve crime. "Como se ferir a integridade de uma mãe amamentando não fosse crime... Depois disso entrei com uma ação no Conselho Regional de Odontologia", afirma a autônoma de 34 anos.

Mais casos

Juliana, mãe de mais dois pequenos (Luca e Davi, de 11 e 8 anos), conta que essa não foi a única vez que sofreu reprovação externa por amamentar em público. "Acontece o tempo todo. A família do meu marido pede para eu colocar um paninho na hora de amamentar. Se eles quiserem comer embaixo de um lençol, o problema é deles, mas minha filha não precisa disso. São sempre ‘paninhos’ e narizes torcidos", desabafa.

Por já chegar a ouvir comentários dizendo que "é horrível ver aquela gosma saindo [do peito]", a moça acredita que falta informação. E carece mesmo, já que há anos a Organização Mundial da Saúde afirma que o aleitamento materno deve ser exclusivo para crianças até os seis meses e até os dois anos ou mais em conjunto com alimentação sólida.

"O ato de amamentar é muito mais que nutrir. Amamentar é comunicar-se com o bebê, pois é na mãe que ele encontra segurança e afeto. Se este convívio for retirado antes da hora, ainda mais se for de modo abrupto, problemas sérios virão no futuro, como uma pessoa insegura ou revoltada", analisa Juliana.

Xô, preconceito! Como procurar apoio?

Se você for uma das mães que sofrem pelo preconceito das pessoas, procure apoio em suas iguais. O grupo "Amigas do Peito" (www.amigasdopeito.org.br) recomenda: "É preciso conversar com quem apoia a amamentação, reunir amigas e saber que o que está vivendo é forte e profundamente transformador. As mulheres devem buscar contato com grupos de mães que já viveram e ainda vivem a amamentação e seus problemas", explica o coletivo.

"Somos mamíferos e temos o dever de amamentar nossas crias até quando acharem necessário. Se não gosta, basta respeitar. Às mamães, digo que devemos nos recusar a sair de estabelecimentos por amamentar, devemos participar dos mamaços a favor da amamentação e, se preciso, mover ações judiciais. Não podemos mais nos proibir de um ato de extremo amor e doação apenas porque a sociedade não aceita", completa Juliana Monteiro.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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